Professor de Sociologia do CSC (MG) conscientiza alunos quanto à manipulação de notícias

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Alunos do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Santa Catarina (MG) tiveram a oportunidade de pesquisar e se aprofundar no debate sobre “Fake News”, termo bastante usado atualmente, principalmente no meio político. Mas você sabe o que é uma fake News? Traduzido para o português seria notícias falsas. Consiste na distribuição deliberada de desinformação ou boatos, especialmente online. Elas são escritas e publicadas com a intenção de enganar e obter ganhos financeiros ou políticos. Atualmente, com as redes sociais, elas são muito comuns e qualquer um pode produzir uma falsa notícia. Por isso o perigo, pois muitos usuários compartilham informações recebidas sem checar sua veracidade ou fonte.

“Se eu, que não sou tão afeito a tecnologia, consigo fazer uma fake news, imagina quem tem um programa tecnológico altamente potente. O problema não é nem a fake news, o problema é esse conceito que estamos vivendo de pós-verdade. Recebemos uma informação e se ela está de acordo com aquilo que você acredita, você nem procura saber se é verdade ou não, logo passa para frente. É nessa lógica que os operadores de fake news operam. Porque as pessoas não estão preocupadas em saber se é verdade ou não. É preciso tomar cuidado com isso”, explica o professor André Tibiriçá, responsável por propor o debate sobre o assunto com os alunos.

Segundo o educador, o excesso de informação é uma forma de negar a informação, porque se produz muita informação, mas não se aprofunda em nada, ninguém fica informado de verdade. E quais são os efeitos disso na sociedade? Foi sobre isso que André queria que os alunos refletissem. Na manipulação midiática, a que os sujeitos receptores da informação podem estar submetidos. “Numa perspectiva freiriana, o aluno, nesse contexto, coloca-se como protagonista de sua formação, estabelecendo um olhar crítico acerca da realidade que o cerca”, afirma André.

Embora o termo esteja em voga no momento, as fake news não são uma exclusividade do século XXI. Ao longo de toda a história, há vários episódios em que “informações fabricadas” foram espalhadas tendo grandes consequências. Basta citar Joseph Goebbels, considerado por alguns especialistas, o patrono das fake News. O ministro de propaganda do nazista Hitler transformou mentiras em verdades, fazendo das notícias falsas uma arma de destruição em massa. Portanto, inventar ou manipular histórias não é algo novo ou fruto das redes sociais.

A partir de referências fornecidas pelo professor, os alunos apresentaram trabalhos muito interessantes, apontando casos próximos e que ganharam notoriedade por causa dos efeitos nocivos provocados com sua propagação. Na recente greve de caminhoneiros, por exemplo, temos vários relatos de fake news. Com vídeos, entrevistas e slides, os jovens mostraram como é fácil manipular uma informação, falaram do perigo de se desinformar em massa, citaram as ‘deep news’ (que são fake news mais profundas, produzidas com uso da inteligência artificial) e um dado alarmante de uma pesquisa: 61% dos brasileiros não checam as informações que compartilham.

“A questão é tão séria que o Ministro do Tribunal Superior Eleitoral afirmou que as eleições podem até ser anuladas por causa das fake news. Entrando no mérito da questão, se o candidato X, uma vez eleito, logo depois vem uma fake news afirmando que ele foi eleito por conta de fake news. E aí, como fica? A vontade popular pode ser colocada em xeque? Portanto, é preciso refletir sobre o assunto, e espero, com esse trabalho, ter contribuído para a conscientização desses alunos”, complementa André.

2018.06.12



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