Bossa Nova é tema de evento cultural no CSC (MG)

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O Colégio Santa Catarina (MG), por meio do Núcleo Cultural Madre Regina Protmann, realizou mais um evento cultural para alunos do 9º ano do Fundamental e do Ensino Médio. Desta vez, com direito a show musical sobre Bossa Nova, gênero que surgiu no Brasil no fim da década de 1950, e se consagrou nas composições de João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. O objetivo, segundo o organizador do evento, professor Leandro Almeida, foi fazer uma análise da relação entre arte, moda, música e história no contexto dos anos 50 e 60.
Os pais dos alunos que tocaram ou fizeram alguma interpretação durante o evento foram convidados a assistirem ao show. A Diretora Pedagógica do CSC, Flávia Cipriani, também marcou presença no evento, bem como os professores Edson Munck (Redação), Scheila Mara (Língua Portuguesa) e Cláudia Coutinho (Literatura), que fizeram valiosos comentários a cada música interpretada. Outra importante participação foi a do músico Gabriel Belozzi, da Escola de Música, que auxiliou os integrantes do Núcleo de Artes e Música nos ensaios e no espetáculo. Durante o evento, o Núcleo apresentou seis clássicos da Bossa Nova: Chega de Saudade, O barquinho, Desafinado, Eu sei que vou te amar, Wave e Garota de Ipanema. Também foram declamadas poesias de Cecília Meireles, de Vinícius de Moraes e João Cabral de Melo Neto.
“É um privilégio podermos nos reunir neste salão para discutirmos sobre canções que marcaram a nossa história e a nossa trajetória. Queria aproveitar e fazer uma consideração, que julgo bastante importante quando lidamos com a canção no Brasil. Dentro da história da literatura brasileira, a poesia não ocupa um lugar de muito destaque. Eu estudo poesia e muito valorizo a forma poética. Mas quando vou a uma livraria, é uma decepção. Caminho pela sessão de prosa, de romance, de contos e há vários autores, vários livros. E quando chego na parte de poetas, há muito poucas obras. Essa história da poesia ser preterida dentro da tradição literária tem a ver com o rito de que ela é difícil, mas o brasileiro sempre dá um jeito. Dentro da nossa história da arte, da literatura, em especial, a canção ganhou as feições de poesia. Se pegarmos, no século 19, o poeta dos escravos ou poeta das praças, como era conhecido Castro Alves, era na rua que sua poesia ganhava cenário e a população brasileira que estava nas ruas ouvia e sabia a poesia dele. Para onde foi a poesia conhecida pelo povo? Eu arrisco a dizer que a poesia migrou para a canção. A canção tem uma carga semântica, uma índole artística brasileira que não podemos prescindir dela jamais. Ela integra nosso jeito de fazer literatura e nós, diferente de outros países, temos na canção uma exemplificação lírica muito rica que muito nos vale para os dias de hoje”, afirmou o professor Edson.
Para o professor Leandro, o evento foi um verdadeiro espetáculo. Ele destacou o empenho dos estudantes em escolher o repertório, bem como em pensar e criar o cenário e o figurino. “Eles fizeram um cenário típico da época e fizeram questão de se caracterizarem. Nosso objetivo foi fazer um apanhado geral dos anos dourados, tanto no aspecto político, econômico, social e cultural levando os alunos a compreenderem o movimento musical da Bossa Nova como elemento da identidade nacional brasileira naquele período, sobretudo no pano de fundo do governo JK, de 1956 até 1961. Fico muito feliz e gratificado de possibilitar o protagonismo juvenil e ver os estudantes mostrando seus diversos talentos artísticos”.
A cada música apresentada, os professores convidados faziam intervenções, explicando o contexto e contando algumas curiosidades da canção. “Quantas pessoas entraram na Igreja ao som de ‘Eu sei que vou te amar’. É uma canção simples, mas também complexa ao falar da dor de amar. Numa entrevista que Vinícius de Moraes concedeu a Clarice Lispector, ela o indagou o que acontecia na trajetória amorosa dele por mudar tanto de par. Vale ressaltar que ele casou nove vezes. E ela arremata com uma pergunta maior: quando você termina um casamento é por que você encontrou outra mulher ou por que se cansou da anterior? E a resposta dele foi de uma pungência tamanha. Ele respondeu: ‘eu vivo minha vida como se uma mulher me depositasse nos braços de outra mulher’. Geralmente, o verbo depositar está ligado a coisas materiais. Ao usar esse verbo para responder à indagação, percebemos como Vinícius também se via nesse processo como um objeto. E, na verdade, nessa letra em questão, ele fala da dor de amar que, segundo o eu lírico, vale muito a pena”, explicou Scheila.
Para encerrar o show, não poderia ser outra canção que “Garota de Ipanema”, o maior sucesso da Bossa Nova, considerada uma das músicas mais conhecidas do mundo. “É a cereja do bolo, uma canção que praticamente todos conhecem e sabem cantar. De fato, ela é muito popular, a representativa maior da Bossa Nova. Uma canção de 1962, em torno da qual existem muitas especulações e uma é teria sido criada em homenagem a uma jovem de 17 anos, moradora do bairro de Ipanema, que tinha o hábito de ir até uma mercearia comprar cigarros para sua mãe, enquanto Tom e Vinícius estavam sentados em um bar próximo, onde costumavam ficar. E essa garota, pela beleza, pela simplicidade e presença tão radiante, chamou a atenção deles, ficando mundialmente conhecida como a garota de Ipanema, que é a Helô Pinheiro”, explicou Edson.

2018.10.29



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