Alunos do CSC (MG) se aventuram em subida ao Pico da Bandeira

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A excursão que os alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Santa Catarina (MG) fizeram à Serra do Caparaó, entre os dias 8 e 10 de junho, foi marcada por um misto de sensações. Acompanhado por educadores da escola, o grupo de 134 adolescentes encarou quase três mil metros de altitude até o topo da terceira montanha mais alta do país: o Pico da Bandeira. Uma caminhada que exigiu fôlego e coragem de quem se aventurou. Mas, apesar do esforço, da baixa temperatura e do cansaço, o que ficou de saldo na bagagem foram boas histórias para contar.

A excursão ao Pico da Bandeira é esperada com ansiedade pelos alunos e, muitas vezes, uma espera que leva anos, pois a maioria deles estuda no Colégio desde pequeno. Ela marca o encerramento de um ciclo. A maioria dos jovens partem de Juiz de Fora, Minas Gerais, com ideias preconcebidas a respeito da escalada, baseadas em histórias de ex-alunos que já passaram pela experiência e, com isso, esperam encontrar mais dificuldades no caminho. Para muitos, na subida, pesa a respiração e na descida a perna, já cansada, parece querer falhar. Na hora, o primeiro impulso é desistir, mas quem consegue se superar afirma que o esforço é recompensado bela beleza da paisagem e pelo indescritível sentimento de ter alcançado algo extraordinário.

As dificuldades enfrentadas ao longo do percurso variam de acordo com o preparo físico de cada estudante. Mas, independentemente da experiência particular que cada um terá para contar dessa viagem, todos terão na lembrança os momentos de companheirismo, ponto forte da aventura. Na hora do desespero sempre prevalece a solidariedade. Um incentiva o outro. É o clima frio da serra aquecendo os laços de amizade, e serve também para que os alunos se deem conta da proximidade do encerramento de um ciclo. A maioria se conhece há mais de dez anos e estuda junto desde criança.

A supervisora do Ensino Médio, Mariangela Lacerda Guedes, que acompanhou o grupo de estudantes, destaca a disposição dos mais fortes fisicamente em ajudar os colegas com dificuldades e também a solidariedade com aqueles que não participaram da excursão. “Eles não esqueceram de ninguém. Quem por algum motivo não esteve lá, foi lembrado. Os colegas, com as camisas da Semana Esportiva do ano passado. Uma forma de dizer: ‘Oh, vocês estão aqui conosco dentro do coração e da memória’. E também fizeram questão de levar uma faixa e prestar homenagem à professora Ancila, que sempre foi a responsável por organizar as excursões do Colégio e que faleceu no início do ano. Foi muito bonito ver essa sensibilidade do grupo”, ressalva Mariangela.

Analisando a aventura, os estudantes chegaram à conclusão de que a escalada ao topo do Pico da Bandeira é uma metáfora da vida. Você chega ao topo e vê o passado lá embaixo, tudo o que já viveu, a Educação Infantil, o Ensino Fundamental, todos os professores e percebe que você chegou ao terceiro ano do Ensino Médio. Cada passo dado na subida é uma etapa superada na escola. E lá em cima está o vestibular. Se o aluno se preparou, estudou, fez a parte dele, não dá para ficar pelo meio do caminho.

Leia, abaixo, alguns depoimentos de alunos que viveram essa inesquecível experiência:

João Pedro Brandão: “A palavra que define essa viagem é superação. O trecho é muito complicado, principalmente para pessoas com limitações, mas como todo mundo viu, superando toda dificuldade física, todos chegaram lá em cima. Como eu já fui escoteiro, encarei a subida com tranquilidade. Lógico que tiveram trechos mais difíceis, mas com o preparo físico que eu tenho, consegui chegar lá em cima tranquilamente e pude ajudar bastante gente com joelho machucado, com pé torcido. Foi bom porque pude ajudar também na parte emocional, dando conselhos, incentivando as pessoas a não desistirem”.

Bruno Ferraz: “Subir lá é complicado. Tem que querer muito, ter muita força de vontade, porque não é um trajeto fácil. Eu dou os parabéns a todos que subiram, pois não é para qualquer um, não. Também tive a oportunidade de ajudar bastante gente com dificuldade. Muitas pessoas achavam que sozinhas não conseguiriam e com alguém do lado, dando apoio, ficam mais confiantes. Outra coisa bacana e que na hora do aperto você se aproxima de pessoas com quem nem conversava antes. É uma questão de humanidade, não só de físico. Todo o trajeto é bonito, mas a vista lá de cima é o ápice”.

Lorena Rocha da Silva: “Fiz duas cirurgias na coluna ano passado para a retirada de dois tumores benignos. A última tem só dez meses. Diante de todas as conversas que eu tive com a Mariangela, com a Marta e com a enfermeira Mariana, concluí que seria melhor eu não subir até o topo, para não prejudicar minha saúde. Eu cheguei a pensar em ficar lá embaixo, mas quando cheguei no local me deu muita vontade de subir e, com a ajuda de todos, eu resolvi encarar parte da subida e consegui chegar até o terreirão. O restante eu preferi não arriscar, porque já estava bastante cansada. Mas valeu a pena ter encarado todos os riscos, ter feito parte da caminhada, aprendi muito com esse desafio. Aprendi que é preciso ter persistência, enfrentar cada dificuldade de cada vez, além da cooperação, a importância de você poder se apoiar em alguém para alcançar um objetivo. Todos me ajudaram psicologicamente e isso foi muito importante para eu ter conseguido chegar lá”.

Felipe Zata: “A imagem preconcebida que nós vamos para lá, de relatos de quem já tinha ido, faz com que a subida seja mais difícil do que eu imaginava. Claro que fisicamente é um desafio, mas resumindo toda essa viagem, houve muita união e acho que é isso que a gente leva para a vida. Nós tivemos um contato próximo com pessoas mais distantes e foi isso que nos deu ânimo para conseguirmos chegar lá em cima. Então, resumindo, união foi a palavra chave dessa excursão. Essa viagem é uma metáfora da vida, que mostra que conseguimos enfrentar os desafios se acreditarmos, se tivermos vontade e persistirmos”.

Ísis Vitoi: “Para mim, a descida foi a parte mais difícil, porque no início eu estava nos primeiros grupos, mas acabei ficando para trás para ajudar as pessoas que estavam machucadas. Com isso, na descida, fiquei no grupo que chegou por último, pois permaneci com quem estava com mais dificuldade. E acabamos pegando o anoitecer. Foram mais de 12 horas de caminhada, já estava todo mundo esgotado física e emocionalmente. Mas apesar de todo o cansaço, valeu muito a pena, foi incrível. Nesse grupo de pessoas machucadas, tinha gente com quem eu nunca tinha conversado e ficamos muito próximos. Eu queria destacar o poder de sentir a presença do outro. Muitas vezes, ao longo do percurso, a gente se dava as mãos, no escuro, não para puxar um ao outro, mas só para sentir a energia um do outro e poder continuar. Os professores também foram incríveis. O André, por exemplo, de quem eu fiquei mais próxima na volta, ele percebeu que estava todo mundo desesperado para chegar e cansado, e aí ele começou a cantar e contar histórias para nos animar e distrair. Só gratidão por tudo e por todos, porque foi uma experiência única. Faria tudo de novo”.

Nicolle Coimbra Ishii: “Para mim, companheirismo resume essa viagem. Foi uma coisa muito bonita de se ver, todo mundo se ajudando. Muitas pessoas que nem eram amigas e estavam juntas se ajudando. Acho que tudo o que vivemos lá no Pico nos ensina a ter persistência na vida. Eu, por exemplo, levei vários tombos, enfrentei dificuldade, principalmente nos últimos 200 metros, mas quando você chega lá em cima percebe que tudo valeu a pena. Aquela vista maravilhosa, seus amigos comemorando com você. É realmente uma metáfora da vida, nem sempre é fácil, a gente escorrega, cai, tem que desviar de muitas pedras no caminho, mas vale a pena”.

Ana Lívia Rocha: “Eu sempre escutei várias pessoas dizendo que depois que eu fosse ao Pico da Bandeira eu voltaria com uma cabeça completamente diferente. E realmente isso aconteceu. Mas foi mais difícil do que eu esperava. Eu só conseguia agradecer por estar ali com pessoas conhecidas e amigas, porque era essa união que nos motivava a cada passo. Essa excursão com certeza coroa a nossa passagem pelo Santa Catarina, faz com que sejamos ainda mais gratos por fazerem tanto esforço para nos levar até lá e nos permitir viver essa experiência que vamos levar para sempre. A gente não imagina o potencial que tem, não sabe que é tão forte até ser colocado à prova. Então, gostaria de agradecer o carinho da Mariangela, da Maúcha e de todos que nos acompanharam nessa viagem”.

Pico da Bandeira

O pico da Bandeira é o terceiro ponto mais alto do país, atrás apenas dos picos da Neblina e 31 de Março, ambos no estado do Amazonas. O da Bandeira está localizado do Parque Nacional do Caparaó, na Serra do Caparaó, na divisa de Minas com o Espírito Santo. Apesar dos 2.891 metros de altitude, é a mais acessível das grandes montanhas brasileiras, em função das trilhas muito bem sinalizadas. Foi batizada com este nome porque, em 1859, Dom Pedro II determinou que cravassem uma bandeira do império no local, que, na época, era tido como o mais alto do Brasil. É um dos pontos mais frios da região Sudeste, onde as temperaturas podem chegar a -10ºC.

Para economizar energia, a primeira parte do percurso, com cerca de um quilômetro do hotel até a Tronqueira, é feita por jipes. A partir daí, no entanto, só dá para subir a pé ou de burro. A segunda parte conta com 3,7 km de caminhada até o que se chama de Terreirão, o ponto limite até onde os burrinhos vão. A partir do Terreirão são mais 3,2 km de subida por trilhas bastante íngremes. Todo o caminho é marcado por setas amarelas pintadas nas pedras, a fim de orientar os aventureiros. Ao se chegar no topo, o visual é maravilhoso e a sensação de estar lá indescritível.

2018.06.25



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