Tarde de sol muda rotina de paciente no HEC

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Sentir o sol no rosto. Era por isso que a paciente Sônia Maria das Neves, 50 anos, ansiava depois de passar quase 30 dias internada no Hospital Estadual Central (ES), enquanto aguardava a realização de uma cirurgia de retirada de tumor do cérebro. No último dia 15, véspera do procedimento, ela conseguiu aproveitar alguns minutos de uma bela tarde ensolarada ao ar livre.

Foi durante uma conversa com a técnica de enfermagem do setor de Neurocirurgia, Angela Santana, que Sônia comentou sobre a vontade de tomar um pouco de sol do lado de fora do hospital. “Quando conheci a Sônia, ela estava irritada, não queria tomar as medicações e dizia que queria alta. Eu fui criando um vínculo com a paciente e sabia o momento em que ela queria falar ou não”, explicou a profissional.

Essa abordagem e cuidado da técnica de enfermagem está entrelaçada à campanha “O que importa para você?”, projeto desenvolvido pela ACSC que serve como ferramenta de humanização baseada em conversas mais significativas entre profissionais de saúde e pacientes. “No dia 11, ela disse que estava preocupada, então tentei tranquilizá-la e perguntei o que eu poderia fazer para que seu momento ali fosse menos estressante. A Sônia me disse que sentia falta do calor do sol, já que estava há quase um mês sem sentir o sol”, finaliza.

E foi durante seu tempo sob o sol que Sônia explicou o porquê desse pedido: vendedora de jaquetas de couro, ela costumava viajar para comercializar os produtos. “Eu adorava a minha rotina, mas, infelizmente, precisei me afastar do trabalho e não sei se voltarei a atuar na área, já que são esperadas algumas restrições depois da cirurgia”, contou a paciente, emocionada. Sônia se mudou de São Paulo para Vila Velha há pouco mais de um ano e se encantou pelo clima do Espírito Santo. “Pensa em uma pessoa que é apaixonada pelo sol. Sou eu. Adoro o calor, ir à praia e sentar para ler um livro. Agora meu lugar é aqui, não tenho vontade de voltar a morar em São Paulo”, comenta. Para o psicólogo clínico Marcos Vilaça, a abordagem do “O que importa para você?” possibilita que o paciente seja escutado e visto para além da doença que o trouxe ao hospital. “Isso proporciona um fortalecimento do vínculo e confiança do paciente com a equipe, uma vez que ele vivencia, nesse momento, inseguranças e medos. A cultura humanizada de cuidado como ‘O que importa para você?’ auxilia na recuperação e bem-estar do paciente durante a internação”, conclui.

2019.01.29



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