Simples e valioso instrumento para a aquisição do hábito de leitura

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Nas últimas décadas, muitos estudiosos têm se debruçado na pesquisa acerca da literatura infantil. Tais pesquisas servem de inspiração e apontam alternativas aos professores na realização de um trabalho mais aprofundado com obras voltadas para o universo infantil. Não há dúvidas de que a leitura é o ponto de partida para a construção do pensamento crítico. Por isso, é preciso incentivar esse hábito nas crianças, tanto em casa quanto na escola. No Colégio Santa Catarina (MG), a professora de Literatura Infantil, Marcela Surerus, busca fazer com que a leitura seja marcada por momentos lúdicos e prazerosos. E para que esse trabalho tenha ressonância em casa, Marcela segue com o projeto “Maleta da Leitura”, cujo objetivo é propiciar um ambiente de leitura em família.

“A ideia já existe, mas em cada escola dá-se um nome e em cada instituição é realizada de uma forma diferente. Normalmente, só vão livros dentro da maleta, mas eu decidi adaptar e colocar outras coisas que fizessem a integração entre a criança e a família”, explica Marcela, que realiza o trabalho há 14 anos no CSC, com crianças do 2º ao 5º ano. São vários os objetivos. Primeiro, estimular o contato com a leitura e a descoberta de diversos gêneros literários. O segundo objetivo é proporcionar um momento em casa, da família com a criança, de valorização. “Teve um ano, por exemplo, que mandamos um jogo de resta um e muitas mães relataram que não viam esse jogo desde quando eram crianças, os filhos não conheciam e elas ensinaram as regras e jogaram juntos. A maleta contém, também, um jogo de fantoche e as crianças contam, com entusiasmo, as encenações que fizeram com os pais e irmãos. Mesmo que não atinja 100% das famílias, o retorno é muito grande e gratificante”, destaca.

Segundo a professora, a iniciativa estimula, ainda, o senso de responsabilidade, porque, durante a semana em que leva a Maleta para casa, o aluno tem que cuidar do material e devolvê-lo arrumado. “Se a criança não vier à aula, por algum motivo, no dia de devolução da maleta, a gente combina para que o pai ou algum responsável possa trazer e não frustrar o colega que está esperando para também levar a maleta”, ressalva. Todas as crianças do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental do CSC têm uma aula semanal com Marcela na Biblioteca Infantil da nossa escola, um espaço lúdico que estimula a leitura e a criatividade. A cada aula, a professora sorteia um aluno para levar o material para casa, de modo que, ao longo do ano, todos os estudantes terão a oportunidade.

“É uma expectativa a hora do sorteio, alguns até rezam e cruzam os dedos. As crianças adoram. A maioria não quer faltar na aula no dia da Biblioteca para não perder a chance de ser sorteada e levar a maleta para casa”, conta a educadora. Todos os anos, Marcela procura diversificar o conteúdo da Maleta. Este ano, a história de fantoche que as crianças levam para casa é da coleção da Bruxa Cremilda, de Jonas Ribeiro. “Como o Jonas esteve aqui no Colégio ano passado, resolvi trabalhar com histórias dele, pois ao conhecer o autor, as crianças se interessam mais”, afirma a professora.

Além disso, a Maleta vai com um livro literário (que varia de acordo com a série do aluno), um livro com a história de Santa Catarina, um livro de orações, um gibi, e revistas educativas que falam sobre o corpo humano, água e floresta.

Para finalizar, a educadora manda um recado para os pais, alertando sobre a importância da participação deles na atividade proposta: “É uma vez só no ano que a maleta vai para casa, e quando a criança vê que a família participa e incentiva, o trabalho é muito mais rico. Ela chega com o caderno, quer mostrar o bilhete da mãe ou do pai. Tem mãe que tira até foto registrando o momento de interação em casa. Mas quando os pais não participam, às vezes, o aluno nem quer levar o material para casa. Mesmo que as crianças cresçam e adquiram certa autonomia, é preciso que o pai continue a estimular e incentivar. Este ano coloquei um bilhete para os pais falando da importância do computador, mas também da importância do livro. Jamais podemos substituir o livro”.

Ao longo desses 14 anos de trabalho na Biblioteca Infantil do CSC, Marcela coleciona retornos positivos consequentes da Maleta de Leitura. “Muitos recados contam sobre a participação dos avós nas atividades e o principal, que chega a ser unanimidade entre os pais: a simplicidade do gesto e sua importância. Muitos relatam que há muito tempo não paravam para ficar juntos e que a maleta mostra o quão simples e divertido é uma brincadeira em família. Não é necessário dinheiro, não precisa sair de casa, basta que todos estejam juntos e dispostos a interagir. Isso não pode ser deixado de lado”, afirma a professora.

2018.03.06



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