Revolução Cultural e Mesa de Debates

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CSC é parceiro em Simpósio realizado pela Pastoral da Educação de JF

A Arquidiocese de Juiz de Fora, através da Pastoral da Educação – que reúne oito instituições de ensino católicas da cidade – realizou, entre os dias 1º e 3 de setembro, o III Simpósio de História e Ciência, este ano com o tema “Revolução Cultural”. O evento tem o apoio do Instituto Cultural São Tomás de Aquino e da Comunidade Resgate. O Colégio Santa Catarina (CSC/JF) convidou professores, educadores e pais de alunos a participarem do evento, que teuniu religiosos, leigos e ateus em discussões sobre a oposição entre fé e ciência.

O objetivo foi promover entre o público presente um debate crítico e rico. Todos os participantes receberam certificado emitido pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Confira, abaixo, os temas  debatidos:

“Jesuítas no Brasil – verdades e mitos”, com Pe. Danilo Mondani, sacerdote jesuíta, escritor e professor universitário, mestre em História, além de Editor adjunto das Edições Loyola, de São Paulo.

“Marxismo e Revolução cultural”, com Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr, professor e escritor, sacerdote da diocese de Cuiabá-MT, dono de um dos sites mais visitados do Brasil, com suas palestras que possuem um caráter político, social e espiritual com uma tônica única e de impressionante conteúdo lógico, histórico e cultural. Nos últimos 20 anos, vem estudando sobre Marxismo. Site: www.padrepauloricardo.org

Debate de ideias – Núcleo Cultural do CSC faz analogia de filme com manifestações a favor da democracia

O Núcleo Cultural Madre Regina Prothmann do Colégio Santa Catarina (CSC/JF) realizou com os alunos do Ensino Médio uma mesa de debates sobre o filme: “O que é isso companheiro?”. Após a exibição do longa, os professores Leandro Almeida (História), Márcio Lavorato (Geografia) e Cláudia Paixão (Literatura) instigaram vários momentos de reflexões sobre a época da Ditadura Militar, fazendo analogias com diversos movimentos sociais e políticos dos dias atuais e comparando o papel da guerrilha urbana do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) com as manifestações ocorridas na Copa das Confederações, em 2013, e sobre os confrontos no mundo atual favoráveis à democracia, como foi o caso da Primavera Árabe e dos movimentos antiglobalização.

O pontapé inicial da discussão foi dado pela professora de literatura, que abordou a cultura de resistência na História, comparando a reação do MR8 da ditadura com a reação dos judeus contra os nazistas, tendo como referência o filme “O pianista”, que discute, entre outras questões, o valor da liberdade. Em seguida, o professor Márcio falou do contexto internacional da Guerra Fria e a divisão entre o Capitalismo e o Socialismo, que acabou interferindo diretamente no imaginário da juventude dos anos 60, no que tange à luta de classes. Além disso, Lavorato valorizou os papéis de resistências na História, contrapondo os valores democráticos aos elementos ditatoriais na ordem geopolítica contemporânea. Por último, o professor Leandro fez uma contextualização histórica da época da Ditadura destacando os “anos de Chumbo” dos governos Costa e Silva e Médici, que perseguiram violentamente os movimentos de esquerda no país. O professor ainda destacou comparações com outras manifestações de resistências na História, como a Campanha das Diretas Já, em 1984, e o movimento dos “Caras pintadas”, em 1992.

Depois da explanação interdisciplinar, abriu-se espaço para as discussões e os alunos presentes puderam fazer colocações sobre o assunto, destacando analogias com outros movimentos históricos e, principalmente, a defesa dos direitos humanos como principal elemento norteador do espaço dialógico. “Tivemos, ainda, a presença de dois ex-alunos que fizeram uma leitura da importância do Colégio Santa Catarina na sua formação, valorizando momentos como o da exibição e reflexão do filme como essenciais para as suas futuras profissões, o que serviu de exemplo para os demais estudantes presentes”, ressaltou Leandro.

O evento acabou se estendendo até o início da noite, devido ao nível das perguntas e reflexões levantadas pelos alunos e pelo diálogo interdisciplinar estabelecido com os professores. “Foi um momento muito bacana e enriquecedor para todos que estavam presentes. Tivemos que interromper devido ao avanço do tempo, mas ninguém queria ir embora. Foi um grande momento, típico da cultura que estamos estabelecendo, aos poucos, no Colégio, levando nossos alunos a mergulharem em visões diferentes sobre os processos históricos, sempre com uma orientação pertinente dos professores. Foi uma tarde mágica”, concluiu Leandro, coordenar do Núcleo Cultural.

O Que É Isso, Companheiro?

O filme brasileiro de 1997 foi dirigido por Bruno Barreto, com roteiro parcialmente baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira, escrito em 1979. A história se passa em 1964, quando um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro e, após alguns anos de manifestações políticas, é promulgado em dezembro de 1968 o Ato Constitucional nº 5, que nada mais era que o golpe dentro do golpe, pois acabava com a liberdade de imprensa e os direitos civis. Neste período vários estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade. E, em 1969, militantes do MR-8 elaboram um plano para sequestrar o embaixador dos Estados Unidos (Alan Arkin) para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados nos porões da ditadura.

Um pouco mais sobre o Núcleo Cultural Madre Regina Prothmann

Criado no início de 2002, o Núcleo desenvolve trabalhos interdisciplinares com alunos do 9º ano à 3ª série do Ensino Médio. Em linhas gerais, os projetos se dividem em quatro áreas: núcleo de fé e política; núcleo de teatro; núcleo de artes plásticas e literatura; e núcleo de cinema e produção de documentários. “Nosso objetivo é fazer nossos alunos estarem antenados aos temas de atualidades que circulam o Enem. Queremos transformar, a cada dia, o Colégio Santa Catarina em um espaço dialógico, levando todos a pensar sobre os processos políticos e discutindo alternativas para o mundo atual”, explica o professor Leandro.

As quatro frentes de trabalho se reúnem no colégio, nas tardes de quarta-feira e os alunos, a partir do 9º ano, podem se inscrever voluntariamente, mas em cada núcleo só há, no máximo, dez alunos. A limitação, segundo o supervisor, é para não cair o rendimento, pois ele acreditava que com muita gente não há produtividade. “Prefiro trabalhar com um grupo reduzido, porém interessado, que vai fazer o trabalho render e depois disseminá-lo na escola. A maior propaganda que a escola pode ter é o trabalho sério, ético e feito pelos profissionais da casa. E é o que acontece hoje na realidade do Colégio Santa Catarina: nós temos uma procura intensa de pais querendo colocar os filhos aqui e também de profissionais que querem trabalhar aqui. Hoje o colégio tem uma vitrine cujo diferencial é não abrir mão de princípios como a disciplina, o respeito ao próximo e a humildade dos interlocutores, pois aqui todos temos uma generosidade acadêmica de aprender sempre”.

2014.09.22



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