Professora do CSC-MG cria história para conscientizar alunos e estimular a empatia

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Tudo começou com um problema verificado, pontualmente, no banheiro do segundo andar do prédio escolar do Colégio Santa Catarina de Juiz de Fora (MG). Diversas vezes, identificava-se que algumas cabines estavam fechadas, sem ninguém dentro. Ou seja, quem usava o banheiro trancava a porta por dentro e saía por baixo, impedindo que outras pessoas pudessem utilizá-lo. A diretora geral do Colégio, Irmã Ernestina Lemos, sugeriu à supervisão de série que não repreendesse as turmas com broncas ou qualquer outra penalidade, mas que houvesse uma conscientização, de forma lúdica.

Sendo assim, a professora Alexandra Bonaldi, do 4º ano, que, nesta etapa, é a responsável pelo planejamento de Português, acatou o pedido e desenvolveu um belíssimo trabalho. Ela criou uma história que se passa em uma cidade chamada Saracutaia, um local onde as pessoas são muito felizes e resolvem seus problemas com amor e respeito. Até que certo dia, muda-se para essa cidade uma menina que não consegue se adaptar à escola e, por isso, decide promover pequenos atos de rebeldia, o que acaba prejudicando os demais colegas. “As crianças amaram a história, desde o início. Fomos trabalhando em capítulos e isso despertou o interesse delas para conhecer o desenrolar da história. E já no segundo capítulo, quando o problema é apresentado, a turma conseguiu fazer uma associação com o Colégio, apontando que aqui estava ocorrendo o mesmo problema. Foi interessante perceber que eles conseguiram fazer a ligação”, conta Alexandra.

O objetivo inicial era fazer com que o problema acabasse e, segundo Alexandra, realmente não houve mais queixas de portas trancadas nas cabines dos banheiros. De uma maneira bem sutil, sem imposição, as crianças conseguiram entender o recado. Mas como a aceitação e o envolvimento dos alunos foi tão surpreendente, a professora percebeu que poderia avançar e ampliar o trabalho. “Fomos trabalhando em cima de interpretação de texto e com reflexões sobre o comportamento dos personagens. Porque a mudança de atitude da protagonista da história se dá a partir do momento em que um colega a faz sentir-se especial através de bilhetinhos com mensagens edificantes, que deixa na carteira dela, e a faz refletir sobre suas atitudes. Aí, eu tive a ideia de fazer com que os alunos também fizessem o exercício de se colocar no lugar do outro, que é a regra de ouro da escola”.

Após conhecerem o desfecho da história e refletirem sobre a narrativa, Alexandra propôs aos alunos criar um mural na sala de aula com mensagens de carinho, respeito e amizade ao próximo. Cada aluno recebeu quatro pedaços de papel colorido, onde tiveram que escrever algo de especial que gostariam de dizer ao colega. “Assim como o menino da história fez um tapete cheio de mensagens bonitas para a protagonista, quis mostrar, com o mural, cujo título é ‘Depende de nós’, que um mundo melhor depende de cada um de nós, da nossa atitude, da nossa conduta, do relacionamento que a gente tem com o outro. E a partir de agora, todos os dias, para iniciar a nossa aula, pedirei a um aluno para ler uma mensagem colocada no mural. É fundamental que eles entendam que é preciso fazer ao outro aquilo que você gostaria que fizessem com você. Eu acho que se as pessoas entendessem isso, o mundo seria muito melhor”, afirma a professora.

E os resultados já começaram a aparecer. “Na sala de aula, é muito interessante. Qualquer situação que acontece, eles estão se questionando, cobrando um do outro uma reflexão, uma mudança de atitude. O resultado foi alcançado, acho até muito além do que imaginávamos. A história também me surpreendeu, porque eu não imaginava que eles ficassem tão encantados com a narrativa. Foi um trabalho muito gostoso de fazer e muito gratificante por causa da aceitação e do envolvimento dos alunos”, complementa Alexandra, contando quais serão os próximos passos. “Agora, eles farão uma espécie de anúncio publicitário, em meia folha de papel ofício, convidando as pessoas a conhecerem essa cidade, que todo mundo tem vontade de morar. Também receberão a história, em forma de livrinho, e caberá aos alunos ilustrar a narrativa. A ideia é que eles contem a história para a família, reflitam juntos e ouçam a opinião dos pais sobre o que nós precisamos fazer para que a nossa cidade seja como Saracutaia, um lugar onde as pessoas são felizes e se respeitem, apesar das diferenças e dos problemas de cada um”.

2017.06.26



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