Professora do CSC-MG conclui doutorado em Letras

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O corpo docente do Colégio Santa Catarina de Juiz de Fora (MG) ganhou mais uma doutora. A professora Patrícia Ribeiro, que leciona Literatura e Língua Portuguesa para o 6º ano do Ensino Fundamental, concluiu o doutorado em Letras – Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora com o trabalho intitulado “A crise na modernidade na poesia de Hilda Hilst e Sophia de Mello Breyner Andersen”.

Com apenas 29 anos, a nova doutora em Letras falou sobre sua pesquisa e como esse trabalho pode ajudar sua prática pedagógica. Confira:

Por que escolheu trabalhar esse tema na sua tese de doutorado?

Trabalhei com a crise na poesia, na modernidade, comparando duas autoras, uma poeta brasileira, Hilda Hilst, e outra portuguesa, Sophia de Mello. Também trabalhei poesia no Mestrado e sempre gostei do tema, de analisar poesia, e sempre em uma perspectiva comparada, porque acho que é um trabalho que rende muito. Com essa perspectiva, a gente consegue ampliar bastante o olhar para a escrita das duas autoras, quando a gente traça os pontos de convergência e dissonância entre elas.

E o que elas têm em comum?

No meu trabalho, procurei analisar como elas se inseriram na modernidade, como elas dialogaram com as tradições e como representaram as tensões, os paradoxos e a crise da modernidade. Ambas começaram a publicar no século 20, são contemporâneas entre si. Busquei, portanto, analisar como elas expressaram nos versos a crise na modernidade. E, para fazer isso, busquei temas que eram recorrentes na poesia das duas.

Embora uma seja brasileira e outra portuguesa, elas retratam muitos temas em comum?

Sim, justamente por essa perspectiva comparada, queria duas autoras da mesma língua para traçar esses laços literários entre Brasil e Portugal, contribuindo com a fortuna crítica da poesia delas.

Você se enxerga na poesia dessas autoras?

Sim, principalmente nesse tempo de estudo. Me identifiquei muito com a poesia da Sophia, porque é singular, o modo dela de abordar os temas é muito intenso. E, hoje, tudo isso ainda está presente na contemporaneidade, o conflito do homem diante do tempo, da crise existencial.

E qual sua poetisa preferida? Por quê?

A Hilda Hilst não era minha poetisa preferida, mas hoje, depois de tantos anos de mergulho na poesia dela, posso considerá-la minha preferida. Ela tem uma poesia muito forte, chama a atenção a linguagem que ela utiliza, que atinge principalmente os jovens. Tem um ímpeto meio revolucionário e é bastante objetiva. Ela trabalha muito a relação do homem com o sagrado, a relação do homem com a natureza.

Como o doutorado pode enriquecer a sua prática na escola?

Embora a minha pesquisa não seja aplicada diretamente na sala de aula por ser muito complexa para a série com a qual eu trabalho, o 6° ano, traz um enriquecimento pessoal e intelectual muito grande que me permite analisar poesia com meus alunos a partir desse olhar que eu fui desenvolvendo ao longo desses anos de estudo. Trabalhar com poesia não é fácil, requer um olhar diferenciado, requer uma atenção a mais, até a banca sinalizou isso no dia da defesa. E aí eu vejo que isso reflete em sala de aula, quando eu trabalho não só poesia, mas outros textos literários. Minha bagagem intelectual e teórica se reflete na hora de trabalhar com os alunos.

2017.05.15



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