Pena de morte é discutida em Júri Simulado no CSC-MG

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A redação é um dos pontos fortes do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Garantir uma boa nota neste quesito já é meio caminho andado para conquistar a tão sonhada vaga no Ensino Superior. Para produzir um bom texto é preciso defender um ponto de vista, apresentar argumentos que sustentem esta tese e oferecer uma proposta de intervenção ou solução para o problema. Exercitar isso no dia a dia da sala de aula é imprescindível. Mas existem formas mais dinâmicas e, portanto, mais atraentes, de fazer com que o estudante procure se informar e estar antenado aos assuntos que estão em voga no Brasil e no mundo. Atento a isto, o coordenador do Núcleo Cultural Madre Regina Protmann e professor do Colégio Santa Catarina de Juiz de Fora (MG), Leandro Almeida, promoveu um júri simulado com os alunos do Ensino Médio e do 9º ano do Fundamental.

O evento foi realizado no Salão de Esportes e contou com a presença de aproximadamente 120 estudantes do colégio. O tema proposto para debate foi a ‘pena de morte’. Foram formados três grupos de jovens: um representando a promotoria (contra a sentença), outro em defesa do tema e um terceiro responsável pelo veredicto, os jurados. Ao professor Leandro, coube o papel de mediador ou o juiz, que delimitou o tempo para cada grupo defender sua tese e atacar a argumentação defendida pelo grupo oponente.

O debate foi quente, com muitos argumentos e contra-argumentos, pautados em pesquisas feitas pelos estudantes. “O desempenho dos alunos me surpreendeu muito. Eles começaram tímidos, mas depois se soltaram e o debate ficou excelente. Gostei do uso das fontes, eles realmente buscaram dados concretos, o que deu credibilidade ao debate. Interessante porque o júri simulado é um exercício para o aluno, futuramente em sua vida profissional, ser articulado”, garantiu Leandro. O professor explicou que a discussão foi iniciada em sala de aula, com os alunos do 1º ano do Ensino Médio, dentro da disciplina de Filosofia, onde foi feita uma prévia seleção dos alunos. Estes, reuniram-se posteriormente para traçar a estratégia de argumentação e fazer pesquisas para o júri. “É um tema atual, um assunto que remete a provocações equilibradas, há prós e contras, existem variáveis. Além disso, estimula os alunos a pensarem em temas paralelos, como cidadania, segurança pública, e novas políticas”, explica Leandro.

Depois de quase duas horas de debate, os cinco jurados se reuniram para dar o veredito final. Por unanimidade, o júri deu vitória ao grupo que se posicionou contra a pena de morte. “Achei muito interessante a dinâmica do júri. Os alunos se empenharam, apresentaram dados históricos e numéricos, argumentos de autoridades. De ambos os lados, os argumentos usados foram muito bons. Mas o júri tinha três critérios para julgar: criatividade, argumentação e trabalho em grupo. Nesse último quesito, a acusação se saiu melhor”, avalia Giovanna Detogni, jurada no evento.

Já Maria Clara Rezende Pitondo, embora seja contra a pena de morte, no júri atuou como advogada em defesa da sentença. “Como foi sorteio, não pudemos escolher de qual lado ficar, mas defender um ponto de vista contrário ao que eu acredito foi muito bom porque tive que aprofundar minha pesquisa e isso me possibilitou ampliar minha visão sobre o assunto”, avalia a jovem.

Saiba mais sobre o Núcleo Cultural Madre Regina Protmann

Criado no início de 2012, o Núcleo desenvolve trabalhos interdisciplinares com alunos do 9º ano à 3ª série do Ensino Médio. Em linhas gerais, os projetos se dividem em quatro áreas: núcleo de fé e política; núcleo de teatro; núcleo de artes plásticas e literatura; e núcleo de cinema e produção de documentários. “Nosso objetivo é fazer nossos alunos estarem antenados aos temas de atualidades que circulam no Enem. Queremos transformar, a cada dia, o Colégio Santa Catarina em um espaço dialógico, levando todos a pensar sobre os processos políticos e discutindo alternativas para o mundo atual”, explica o professor Leandro.

Os grupos de trabalho se reúnem no colégio nas tardes de quarta-feira e os alunos, a partir do 9º ano, podem se inscrever voluntariamente. “Dentro do núcleo, fizemos quatro subdivisões das ações em que, no campo da política, nasceu o júri simulado, com a proposta de instigar a pesquisa, fazer os alunos saírem do “achismo”, promover o respeito entre os adolescentes e estimular a argumentação”, arremata Leandro.

2017.08.21



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