Música contribui para recuperação de paciente do HEC

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Os dias tristes ficaram para trás na enfermaria da unidade de acidente vascular cerebral (AVC) do Hospital Estadual Central (ES). O paciente Argemiro Soares Pinho, de 86 anos, foi internado no dia 26 de janeiro e, há quatro dias, pediu à família para trazer sua gaita para entretê-lo. Ele, que trabalhou parte da vida como marceneiro, desde pequeno gosta mesmo é de fazer música.

A filha do paciente, Clemilda Soares Mendes, que o acompanha no hospital, explica que Argemiro via a mãe e o irmão mais velho tocarem acordeon: “Ele tinha uns nove anos e queria tocar, mas os dois não o deixavam pegar o instrumento. Papai diz que sentava aos pés da mãe dele, pegava um pedaço de couro, dois pedaços de madeira, riscava com carvão os botões do teclado e, quando a mãe tocava, ele acompanhava no seu acordeon imaginário”.

Durante toda sua vida, seu Argemiro gostava de levar um pouco de alegria para os outros por meio da música. Essa realidade precisou ser readaptada após descobrir que tinha mal de Parkinson. “Quando descobriu a doença, ele tocava um acordeon todeschini 80 baixos italiana, que é o que ele mais ama, mas como a mão ficou limitada, agora ele toca uma 27 baixos. A outra ele deu pro meu irmão e agora eles formam uma dupla”, comenta a filha.

A fonoaudióloga do HEC, Flávia Luzia Motta, afirma que a gaita tem contribuído no tratamento do paciente. “O Parkinson e o AVC causam disfagia, que é a dificuldade de deglutição. Qualquer instrumento de sopro, como gaita, flauta, apito, vão ajudar na sensibilização da laringe, melhorando a deglutição e, principalmente, a fonação. O paciente vem evoluindo muito e já mudamos até a dieta dele, que antes era líquida pastosa e agora já passou para pastosa”, conclui a profissional.

O instrumento mudou a rotina dos demais pacientes do quarto. Quando seu Argemiro se inspira, pede a gaita e toca até cansar. Além do Parkinson e o AVC, ele também foi diagnosticado com um quadro demencial há alguns anos, mas, apesar dos problemas de saúde, a memória musical dele permanece intacta. “Ele não esquece a música e nem o dia do pagamento”, brinca Clemilda.

Para o paciente, esse é um jeito de transformar dias ruins em bons. “A música tem o poder de me alegrar”.

2020.02.11



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