Novembro Azul: até 80% dos casos de câncer de próstata podem ser diagnosticados com exames preventivos

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Se o câncer de mama ocupa o segundo lugar em incidências em mulheres, o câncer de próstata está na mesma colocação para os homens. Ambos perdem apenas para o câncer de pele não-melanoma. É por isso que, dando sequência aos meses de conscientização, em novembro, é comemorado mundialmente o movimento Novembro Azul, que visa a prevenção do câncer de próstata.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em valores absolutos e considerando ambos os sexos, esse é o segundo tipo de câncer mais comum. A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Sendo assim, a doença consiste no aparecimento de um tumor maligno que nasce nessa região, mas que está sempre em evolução, podendo se alojar em órgãos vizinhos e à distância. Segundo o urologista do Hospital São José (RJ), Manoel Pombo, esses tumores não se desenvolvem da mesma forma em todos os homens. “Eles apresentam cinco graus de agressividade. O grau 1 é o mais lento em evolução, que pode chegar até o grau 5, o mais agressivo, que se não for diagnosticado precocemente leva a óbito”, explica.

A Sociedade Brasileira de Urologia, indica que se inicie uma busca pelo diagnóstico precoce do câncer de próstata, a partir dos 50 anos. “Os exames indicados são a coleta da história clínica do paciente, onde se avalia também se ele faz parte de grupo de risco maior, exame de toque retal e dosagem do PSA. No caso de pacientes que estejam em grupos de risco maior, tais como negros e histórico familiar, esses devem ser rastreados a partir dos 45 anos”, orienta o médico. Segundo publicação da Folha, o toque retal garante 48% de precisão no diagnóstico e, quando combinado ao PSA (exame de sangue), esse índice pode chegar a 80%.

Estima-se que, acima dos 50 anos de idade, cerca de 10% da população masculina esteja acometida por esse tumor, com ou sem diagnóstico. “Para minimizar o risco da doença ou tumor mais agressivo, deve-se ter uma dieta pobre em gorduras animais, praticar atividade física, controlar o peso, ter uma vida sexual saudável, evitar o tabagismo. Enfim, adotar um estilo de vida saudável”, contribui Manoel.

Grupo de risco maior

Segundo o médico, a ameaça maior é para homens em geral, acima dos 50 anos. “Alguns fatores podem potencializar o risco, como questões étnicas-raciais, sendo os indivíduos negros mais acometidos e com maior grau de agressividade;  histórico familiar de câncer de próstata, quanto maior o número de familiares acometidos, maior é o risco de desenvolver  a doença; obesidade e consumo de alimentos ricos em gorduras, principalmente de origem animal; sedentarismo e tabagismo”.

Sintomas

É importante lembrar que esse tipo de câncer só se manifesta em fase avançada. Ou seja, os sintomas só aparecem quando os tratamentos não conseguem mais ter o objetivo de cura. São eles: ardência ao urinar, obstrução urinária, dor na lombar persistente, sangue na urina ou no sêmen, danos por metástases (pulmonares, cerebrais, no fígado etc). De acordo com o médico, frente a qualquer manifestação de sintomas, significa que não houve o devido acompanhamento.

Tenho câncer. E agora?

A partir do diagnóstico, é necessário avaliar em que fase de evolução da doença houve o diagnóstico. “Se inicial, os tratamentos devem ter a opção de cura. São eles a cirurgia e a radioterapia. Se avançado, indicamos as terapias de supressão hormonal, que objetivam o controle da doença, porém sem ter caráter curativo”, esclarece o médico.

É importante salientar que a oferta de consultas pelo SUS para homens cuidarem da saúde da próstata é limitada. Dr. Manoel comenta que, enquanto o SUS oferece cerca de 50 milhões de consultas/ano em Ginecologia e Obstetrícia, exclusivamente para a saúde da mulher, em Urologia são cerca de 3 milhões, onde cerca de 50% dessas consultas não são de saúde do homem.

Diante desse cenário pouco favorável, é muito importante que o homem entenda a importância desses cuidados e faça os exames preventivos periodicamente. A doença, quando diagnosticada precocemente, tem boas chances de cura. Leve a sério a sua saúde e previna-se!

Dr. Manoel Pombo, urologista do HSJ

2019.11.05



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