Neurologista do HSC explica porque o frio aumenta as chances de AVC

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O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é o maior causador de mortes no Brasil, além de ser o principal responsável pela incapacidade no mundo. Mas o que nem todo mundo sabe é que a chance de incidência do problema aumenta durante o frio. Uma pesquisa do Instituto Nacional de Cardiologia aponta que, em comparação com as outras estações do ano, o índice de AVC cresce em 20% durante o inverno.

E se para as pessoas em geral o risco já é maior, diabéticos, fumantes, hipertensos, idosos, obesos e sedentários precisam se atentar ainda mais nas épocas mais frias do ano. De acordo com o Dr. Feres Chaddad, neurologista do Hospital Santa Catarina (SP), na busca do organismo por manter o calor interno do corpo, as paredes dos vasos sanguíneos ficam contraídas e o nosso coração se esforça mais no bombeamento sanguíneo.

“Outro fator que aumenta a chance de um AVC no frio é a desidratação. É normal beber menos água nessa época do ano e isso faz com que o nosso sangue tenha uma densidade maior, que permite uma coagulação mais fácil e aumenta a pressão sanguínea. Isso sobrecarrega o coração e facilita a soltura de placas de gorduras das artérias, podendo bloquear a passagem do sangue para o cérebro”, explica.

Novo fluxo de atendimento em hospitais

Com o risco maior nesta época do ano, cresce também a necessidade de um atendimento rápido para diminuir as consequências de um AVC. A agilidade é fundamental para evitar sequelas neurológicas e incapacidade funcional. Pensando nisso, o Hospital Santa Catarina modernizou ainda mais o protocolo para esse tipo de caso no Pronto Atendimento (PA) da Instituição.

Entre as principais mudanças, estão a aplicação pelo enfermeiro, ainda na triagem, da escala NIHSS (National Institute of Health Stroke Scale), que avalia o déficit neurológico após o AVC; inclusão pela enfermagem do paciente no protocolo e encaminhamento direto para a tomografia; e a inclusão de todos os casos no JOIN – aplicativo que possibilita a visualização de todas as informações do paciente à distância, o que permite a um médico da retaguarda uma orientação de conduta ainda mais ágil.

A mudança no procedimento do hospital gerou uma redução de 40% de 2018 para 2019 no tempo porta-imagem (chegada do paciente no PA até a realização da tomografia para confirmar o AVC). A meta porta-trombólise (chegada do paciente até o início do tratamento) em até 60 minutos tem sido alcançada desde 2018, garantindo as recomendações internacionais para a segurança da pessoa atingida por um AVC.

Treinamento no HST

Recentemente, o Hospital Santa Teresa (RJ) também realizou uma grande mobilização interna sobre o tema e treinou profissionais de diversas áreas e setores nas técnicas e condutas utilizadas no Protocolo de Atendimento de Acidente Vascular Cerebral (AVC). O treinamento teve como tema a “Fase Hiperaguda do AVC” e foi ministrado pelo enfermeiro Alessandro Rômulo Alencar, especialista em Terapia Intensiva Cardiorrespiratória e Controle de Infecção Hospitalar e mestrando em Ciências da Saúde.

“A fase hiperaguda é aquela em que o paciente chega à instituição e, segundo a metodologia científica, temos uma hora para atendê-lo, pois é a hora mais crítica. Essa hora é crucial, pois se perdermos tempo o paciente pode ficar com sequelas ou até morrer. Estudos mostram que cerca de 2 milhões de neurônios morrem a cada minuto, ou seja, o paciente é tempo dependente”, comenta. “No treinamento aguçamos a equipe a colocar em prática os conhecimentos que eles já possuem para atender de forma diferenciada, com alto desempenho para salvar a vida do paciente”, comenta o enfermeiro.

Para aumentar a eficácia e segurança do atendimento ao paciente, a equipe do Plantão Médico do HST conta também com um formulário padronizado para atendimento dos pacientes. “O Formulário do Protocolo Gerenciado de AVC direciona a equipe multidisciplinar em todas as suas ações, do cuidado inicial, avaliação até a administração do trombolítico”, explica a enfermeira Andressa Amaral.

“Com esses treinamentos constantes, favorecemos o diagnóstico precoce do AVC. Cada minuto conta muito no desfecho funcional do paciente. Com isso, quanto mais cedo o reconhecimento do AVC, conseguimos um tratamento mais rápido, fazendo com que o paciente consiga retomar a sua vida com o mínimo ou nenhuma sequela. Quanto mais rápido sinalizar, mais eficaz será o tratamento, podendo ser identificado até mesmo antes da triagem”, afirma o Dr. Carlos Bruno Nogueira, neurologista responsável pelo Protocolo no HST.

2019.08.27



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