Hospital Santa Teresa realiza 1º Workshop sobre Doação de Órgãos

Postado por admin

O Hospital Santa Teresa (RJ) promoveu, na última quarta-feira, o 1º Workshop sobre Doação de Órgãos. O evento aconteceu no Salão Nobre da Casa e contou com uma programação abrangente sobre o tema. O local teve lotação máxima, com um público dividido entre profissionais de saúde, estudantes da área de saúde, médicos e interessados em geral.

O Gerente Assistencial do HST, Márcio Pacheco Bastos, abriu o evento agradecendo a todos os presentes. Em seguida, a Coordenadora das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTTs) do Rio de Janeiro, Maria Cleidinete Amorim Surica, abriu os debates.

Ela demonstrou a importância da doação, como funciona o PET, contou histórias sobre pacientes que receberam órgãos e, ainda, apresentou duas pessoas que deram seus depoimentos, Thayane Ângelo Santos, que está na fila da doação de um coração e o transplantado José Osmar Alves Ferreira que, após receber um coração novo, há sete anos, se transformou em maratonista e conquistou diversas medalhas.

Após ser diagnosticada com Miocardiopatia Dilatada, a carioca moradora de Santa Cruz, Thayane, entrou para a fila de transplantes de coração em fevereiro deste ano.  Ela contou da sua ansiedade, suas limitações devido ao seu problema de saúde e como enfrenta diariamente a espera. “Atualmente faço acompanhamento psicológico com duas terapeutas. Sem poder trabalhar, me dedico à militância pró-doação de órgãos e tecidos por meio da minha conta no Instagram: Coração de Flor (instagram.com/coracaodeflor), onde falo sobre doação e troco experiências”, relatou.

Já José Osmar contou sobre como sua vida mudou após o transplante. Morador da comunidade Rocinha, falou da emoção ao receber a ligação do PET de que havia um coração compatível. Foi de casa até o hospital de moto táxi, levou uma bronca da equipe médica, mas o transplante foi um sucesso. Ele passou anos sem fôlego para andar devido a Doença de Chagas, após receber seu novo coração, começou a correr 3 Km, logo passou para 5 Km, 10, 15, 21 e já realizou seu sonho e em 2018 correu duas maratonas completas, ou seja, 42 Km cada.

Morte encefálica e acolhimento familiar

O médico neurologista do HST e mestrando em neurociência pela Universidade Federal Fluminense, Carlos Bruno Nogueira, demonstrou como é realizado o diagnóstico de morte encefálica e como realizar a manutenção do potencial doador.

Uma maca com um técnico de Enfermagem voluntário foi colocada no Salão Nobre e tanto os profissionais de saúde quanto o público leigo presente puderam acompanhar uma aula quase prática de como se chega ao diagnóstico de ME.

Após o diagnóstico de Morte Encefálica, uma das fases mais difíceis da doação de órgãos é a conversa com a família que acaba de perder um ente querido. A psicóloga Jociane Coutinho foi quem tratou do tema “Acolhimento Familiar”. A palestrante que também é coordenadora do Serviço de Psicologia do HST, diretora presidente da Cooperativa de Saúde Mental e Reabilitação de Petrópolis e mestranda em Bioética, pôde esclarecer a plateia dessa importante fase da doação de órgãos.

Voltada para os profissionais de enfermagem, a palestra seguinte tratou da “Assistência de enfermagem ao potencial doador”, ministrada pelo enfermeiro da UTI São Judas Tadeu do HST, Willian Fernandes Palmeiras. Com especializações em modelo de Residência e Terapia Intensiva, o profissional demonstrou a importância da equipe de enfermagem durante o Protocolo de Morte Encefálica. “Se todos da equipe souberem o passo a passo do Protocolo, as chances da doação ser bem sucedida aumentam muito”, enfatizou.

Para encerrar, foi montada uma mesa redonda de debates com os palestrantes e participantes que puderam esclarecer suas dúvidas e fazer perguntas sobre o tema. O debate foi mediado pelo organizador do evento Carlos Carneiro, enfermeiro coordenador de Enfermagem e da CIHDOTT do HST.

“Abordamos temas multiprofissionais, muita gente de fora pode participar e se inteirar mais sobre a doação de órgãos. Acreditamos que, com este evento, contribuímos um pouco mais com o nosso objetivo de informar às pessoas do processo e, claro, da importância da doação de órgãos. A fila de pessoas aguardando por um SIM é muito grande. Que possamos promover muitos outros “Setembros Verdes” nos próximos anos para que consigamos mais doadores”, resumiu Carlos Carneiro.

Fotos:

2019.10.01



Sem Comentários

65 Visualizações

Deixe um comentário :