HNSC: Paciente canta e toca violão durante cirurgia no cérebro

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A equipe do neurocirurgião Dr. Marcos Ghizoni realizou mais uma cirurgia para extração de tumor cerebral em que o paciente é mantido acordado, no Hospital Nossa Senhora da Conceição (SC). Desta vez, os testes realizados durante o procedimento foram além da interação por meio de gestos e fala entre paciente e equipe cirúrgica. Anthony Kulkamp Dias, de 33 anos de idade, cantou e tocou violão enquanto os médicos realizavam a cirurgia. A situação inusitada ganhou notoriedade e a cirurgia foi destaque nos principais veículos de comunicação do Brasil.

A monitorização cerebral – importante para evitar que ocorram lesões nas áreas sensoriais, motora e da fala – ocorreu durante todo o procedimento. A cirurgia, disponibilizada apenas em hospitais de referência, representa um grande avanço na medicina, pois é possível fazer, de forma segura, um verdadeiro mapeamento do cérebro, evitando-se lesões que podem comprometer áreas importantes e refletir na qualidade de vida do paciente.

O anestesiologista e diretor clínico do HNSC, Dr. Jean Abreu Machado, também participou da cirurgia, mantendo o jovem orientado e cooperativo com a equipe. Segundo ele, normalmente as neurocirurgias são realizadas com o paciente sob anestesia geral, ou seja, com inconsciência (dormindo) e ausência de dor, porém, quando o tumor está próximo a áreas com funções especiais do cérebro, como é o caso da fala, movimentação e sensibilidade, há o risco que estas funções especiais sejam perdidas, caso sejam lesadas durante o procedimento. “Mantendo o paciente acordado durante a cirurgia, estas áreas podem ser monitoradas em tempo real. É feito uma espécie de mapeamento das áreas importantes, a corticografia. Sendo assim, são menores as chances de lesão e é possível uma otimização do tratamento”, completou.

O anestesiologista explicou, ainda, que o tecido cerebral não possui sensores para dor, mas pele e outras estruturas, cujo acesso é necessário para um campo operatório adequado, possuem tais sensores. “Neste momento, inicia o desafio do anestesiologista: manter o paciente acordado e sem dor”, frisou ele. Dr. Jean destacou que outro fato muito importante é um bom relacionamento médico-paciente, iniciado na consulta pré-anestésica, quando não apenas o anestesiologista conhece melhor o paciente, seus problemas de saúde, alergias, medicações de costume, mas quando o paciente aproveita a oportunidade para esclarecer todas as dúvidas e diminuir as inseguranças e medos.

2015.07.22



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