Espiritualidade – Especial Madre Regina Protmann

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Madre Regina, na oração faz a semente crescer e multiplicar e, o fermento transformar Reino.

Madre Regina nasceu e viveu numa família cristã, que participava ativamente da Igreja, em Braunsberg, onde residia sua família, numa época de crise: A Reforma Protestante, iniciada por Lutero estava avançando rapidamente por aquela região.  A cidade de Braunsberg  permaneceu firme na Fé Católica. Orientados pelo Bispo, os sacerdotes da região e souberam conduzir o povo nos caminhos da fidelidade e da perseverança em seus princípios cristãos.

Madre Regina foi batizada na Igreja de Santa Catarina onde ela frequentou durante toda sua vida. Como criança, segundo seu biógrafo, gostava de admirar os vitrais, que em contrate com luz reluziam numa inexplicável beleza, mas ainda não tinha uma noção do que seria de sua vida. Ali, neste olhar de contemplação se desenhava o projeto oculto de vida para uma decisão que ela tomaria aos 19 anos de idade. Orientada pelo seu confessor, foi lentamente construindo um caminho de Fé. O que podemos perceber é que o silencio e a perseverança na oração foi transformando o seu interior. E começaram aparecer algumas inquietações e apelos para algo diferente, não comum para uma jovem em processo de discernimento vocacional.

Ela busca uma resposta para estas inquietações, permanecendo silenciosa, na sua comunidade eclesial, no meio de sua família, mas as inquietações são fortes demais e demandam uma resposta. Começa a perceber que estes apelos interiores a direcionam para dentro de si, numa intimidade com Deus e para fora.  Percebe a realidade.  A oração contemplativa é o sustento da sua vida, mas lá fora, há pessoas com fome, crianças abandonadas, doentes sem assistência, mulheres sem instrução. Esta realidade a incomodar e partilha esta situação com o seu confessor e provavelmente com duas companheiras. Aos 19 anos de idade, toma uma decisão radical. Deixa a casa paterna e junto com as duas companheiras se retira para uma casa velha, que pertencia a sua família, e inicia uma vida de austeridade, de penitência oração. Nesta casa, desprovida do mínimo de conforto, Regina coloca a pedra fundamental de sua obra. Rompe com as estruturas da época numa decisão radical e inicia algo inovador para a época. Acolhe as crianças em sua residência, cuida dos doentes em seus domicílios, inicia um processo de educação e formação para mulheres, tenta manter a comunidade com recursos próprios provindo do próprio trabalho.

Sua ação começa a incomodar e surgem os comentários devido à realidade da situação da mulher naquele tempo.

– Deixar a casa paterna só era possível para quem contraísse matrimonio e formando uma nova família, ou para aquelas jovens que se decidiam seguir a vida religiosa nos conventos de vida enclausurada existente na época.

Mas, Regina, não escolhe nem um, nem outro. Junto com suas companheiras, mantém uma vida orante contemplativa, mas também voltada aos cuidados com a vida.  Não iniciou um novo mosteiro, mas iniciou um novo modelo de Vida Religiosa, até então desconhecido na Igreja. A Vida contemplativa, fundamentada na Palavra de Deus, na meditação e na contemplação do mistério da Vida Paixão, Morte e Ressureição de Jesus, na celebração do mistério eucarístico, na vivência dos sacramentos, na devoção a Maria, a Santa Catarina, oração do rosário e ofício divino. É uma comunidade que vive inserida na vida da  Igreja e dela faz parte. Em sua biografia há relatos que Regina aos domingos e dias santos, passava por mais de cinco horas ajoelhada em oração na Igreja de Santa Catarina. Todos os seus sentimentos e pensamentos estavam voltados para Deus e para a Igreja

Quando acontecia algo, contrário à situação normal, uma crise na sociedade, um conflito entre pessoas, epidemias, intempéries, ela e suas Irmãs se colocavam em oração, jejuns e penitência até que a situação voltasse ao normal. Quando ela ouvia que alguém a difamava ou dela falasse coisas indevidas, prontamente dizia. Vou rezar por esta pessoa. Sempre orava por aqueles que não aceitavam o seu projeto. Em suas orações, sempre estavam presentes as autoridades civis e eclesiásticas, os benfeitores de seus conventos e toda a humanidade.

Em sua primeira regra de vida – doc. de 1581 – vemos que ela estabeleceu um programa de vida orante para a comunidade. (Planejamento estratégico). Um projeto de contemplação, de oração, de austeridade e serviço ao Reino. Na segunda regra, doc. de 1602, a grão de mostarda cresceu e se transformou numa árvore onde muita gente encontra sombra e espaço para seu ninho. A oração é constante e tem uma expressão muito forte. O projeto é revisto,  adaptado a realidade devido ao crescimento e expansão da missão. A vida deste pequeno grupo atravessa as fronteiras de Braunsberg e torna-se conhecido por toda a Igreja, com a aprovação da regra de 1602, pelo representante do Vaticano. O reconhecimento que Regina tinha da Igreja, agora com uma aprovação eclesiástica demonstra que a oração desta mulher movida pelo Espírito Santo e se transformou num marco histórico na Igreja. A congregação passa a ter direitos pontifícios. A primeira congregação de Vida ativa e contemplativa reconhecida a nível internacional.

Quando sua vida foi chegando ao fim, no meio de muitos sofrimentos, Regina aceitou com tranquilidade a vontade de Deus, partindo para eternidade no dia 18 de janeiro de 1613. Acabamos de celebrar o 4º centenário de morte daquela que soube cultivar uma espiritualidade forte e uma Fé firma que atravessa séculos e continua hoje em cada pessoa que se dedica a transformar o mundo das pessoas através da Congregação e da Associação. O fermento do Evangelho fez a massa crescer e a semente de mostarda transformou-se em uma frondosa árvore. Nós hoje continuamos, porque assim Ela dizia: Como Deus Quer. Os ramos desta árvore estão se estendendo neste ano de 2014 para o Haiti e para a diocese de Óbidos no Pará. Novas sementes estão sendo espalhadas.

Temo uma oração que e outros textos descritos em sua biografia que foram escritos por Regina, não sabemos em tempo de sua vida. O seu Testamento Espiritual, escrito pouco tempo antes de sua morte demonstra o quanto ela estava ligada ao Senhor. Ele é vivo e atual em nossos dias como uma regra de vida válida para qualquer pessoa em qualquer tempo ou situação. Que Madre Regina ore por nós.

 

Autora: Irmã Penha

2014.01.31



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