Especial Dia de Santa Catarina

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Em comemoração ao Dia de Santa Catarina, celebrado em 25 de novembro, estruturamos uma edição especial do Congregar, trazendo uma releitura da padroeira da Congregação de Santa Catarina sob o ponto de vista das Irmãs que compõem o Conselho de Administração da ACSC. Além disso, você também vai conhecer um pouco sobre a história de cada uma delas.

Irmã Lia Gregorine: Uma questão de coragem

Quando a Irmã Lia, aos 14 anos, conheceu o trabalho das Irmãs da Congregação de Santa Catarina, em Araranguá (SC), a figura de uma mulher corajosa, forte e dedicada ao próximo chamou a sua atenção, no Hospital Bom Pastor. Foi nessa época, em 1958, que decidiu trilhar o mesmo caminho daquela Irmã, que buscava ajuda aos mais necessitados e visitava as famílias na zona rural. Por isso, mudou-se para a cidade de Cocal, onde estudou por 4 anos com as Irmãs. Na sequencia, aos 18 anos, mudou-se para São Paulo, no Hospital Santa Catarina, onde fez seu noviciado e postulado. “Entrei na Congregação porque queria repetir os gestos daquela Irmã que me inspirou em Araranguá”, conta a Irmã Lia.

Apesar de ter uma tia religiosa, que a apoiou em sua decisão, a Irmã conta que foi traumática a separação da família tão jovem. “O entusiasmo, a coragem e o espírito de doação ao trabalho e a missão da Irmã que conheci me encantaram, mas ao mesmo tempo os meus laços com a família eram fortes. Mas rompi meu choro e segui em frente na minha fé”, relembra.

Após sua formação vocacional, Irmã Lia passou 1 ano em Petrópolis (RJ), no Colégio Santa Catarina. Depois disso, dedicou 1 ano para o Hospital Santa Catarina, em São Paulo. Passou alguns anos no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, ajudando no faturamento do SUS e Farmácia, foi quando decidiu se formar em enfermagem. “Cursei enfermagem e trabalhei muito tempo em Petrópolis, Teresópolis e no Hospital Santa Catarina até o dia que vim para a administração da ACSC, onde estou até hoje”, resume.

De acordo com a Irmã Lia, quando se escolhe seguir o caminho consagrado, você assume que está a serviço da comunidade, da Congregação e, consequentemente, aos novos desafios que se colocam ao longo do tempo. Foi justamente assim que a Irmã chegou à Presidência do Conselho de Administração da ACSC. “Nunca sonhava estar à frente da administração da ACSC, mas a história vai te colocando desafios e você, pelo espírito de doação, vai absorvendo as necessidades com coragem, assim como Santa Catarina”, explica.

Para exemplificar sua opinião a respeito disso, Irmã Lia cita um trecho do evangelho de São Luca (Capítulo 17, versículo 10) que diz: “Depois de terdes  feito tudo, considerai-vos servos  inúteis”. “Acredito que a espiritualidade é um modo de viver. Busco servir com simplicidade, ou seja, servir sendo servo quase que inútil. Sou uma serva de Deus, que me quer neste momento aqui e num outro momento Ele pode me querer em outro lugar”, pontua.

De acordo com a Irmã, a principal característica que ela admira na história de Santa Catarina é a coragem. Afinal mesmo jovem e estudiosa, ela se confrontou com outros filósofos da época. “Como menina, ela poderia ter se retraído e ter medo de confrontar-se. No entanto ela foi com toda a coragem e toda a benção de Deus”.

Para a Irmã Lia, a Associação Congregação de Santa Catarina possui a mesma coragem da história de Santa Catarina, por seguir em frente com uma missão mais do que centenária no Brasil, cuidando dos doentes e idosos e educando as crianças em obras grandes, pequenas e médias, incentivando para que todas levem em frente este carisma. “Se Catarina foi corajosa no século III da Era Cristã, nós hoje no século XXI também temos a mesma coragem de nos confrontar com as leis às vezes desumanas, não muito éticas ou morais. A coragem nos move a continuar assistindo”, conclui.

Irmã Euza: Fidelidade ao Chamado de Jesus

Conheceu a Congregação no ensino fundamental no Colégio Santa Catarina, em Petrolina de Goiás, a Irmã Euza já sabia que queria se consagrar aos 11 anos. Entretanto, seu pai achou mais prudente ela se dedicar primeiro aos estudos, para tomar a decisão de forma mais madura e consciente.

E foi aos 23 anos tomou a decisão. “Em janeiro de 1976 resolvi entrar na Congregação. Tomei a decisão em um encontro vocacional”, conta. Após sua formação religiosa, Irmã Euza também se formou em enfermagem. Já atuou como enfermeira e na formação de novas Irmãs. “Já trabalhei em creche, com idosos e, agora, estou no Amparo Maternal – maternidade filantrópica que desde 2009 está sob a gestão da ACSC”, resume.

Irmã Euza acredita que foi tocada e animada por Jesus para tomar a decisão de seguir a vida religiosa e consagrada. “É um chamado muito forte, sente – me impulsionada a tomar a decisão. Já tinha uma formação cristã de família, na escola e Igreja, mas eu realmente me senti tocada para tomar a decisão, porque eu queria servir ao próximo e doar a minha vida nessa causa”, relembra.

Hoje, como integrante do Conselho de Administração da ACSC, a Irmã avalia que a gestão não é o objetivo primeiro da vocação das Irmãs, mas elas acabam atuando e colaborando para dar continuidade aos valores humanos e religiosos nas obras da Associação. É um caminho de serviço para que  o Carisma perpetue”, pondera.

Da história de Santa Catarina, Irmã Euza admira a fidelidade que Santa Catarina teve no seguimento de Jesus, dando a própria vida em nome de sua fé. “Ela tinha uma paixão forte por Jesus. Mesmo sendo cativada para casar com os príncipes, por ser bonita e culta, Catarina ficou firme em sua decisão. Admiro a coragem, a determinação, o amor que ela tinha por Jesus a ponto de dar a própria vida”, diz.

De acordo com a Irmã, nós devemos buscar com todo empenho valorizar e trazer presente os valores que Santa Catarina viveu. “Na sociedade atual, viver os valores cristãos muitas vezes caminha na contramão. Por isso, temos que defender e praticar o amor ao próximo  e a coragem. A vida de Santa Catarina e de Madre Regina são inspiradoras das obras da ACSC e nós devemos ter este cuidado para não perder estes valores de Justiça, Amor ao Próximo e Coragem, que norteiam a nossa missão”, reforça.

Para Irmã Euza, como Santa Catarina inspirou Madre Regina, as Irmãs também são inspiradas para levar avante esta missão, agora com a responsabilidade maior de passar e testemunhar estes valores para quem está próximo.

Irmã Marcilene: A força da oração

Natural de Santa Teresa, Espírito Santo, a Irmã Marcilene descobriu sua vocação para a vida religiosa aos 19 anos. Apesar de frequentar a Escola de Santa Catarina até a 8ª série, foi ao final do curso técnico em edificações, a Irmã fez estágio no Colégio de padre Franciscanos FMC, onde teve muito contato com seminaristas, o que a despertou para a vida cristã. “Antes disso, frequentava a igreja, mas nunca tinha feito planos para vida religiosa. Pensava em trabalhar, mas de repente começaram a surgir outras prioridades, despertar alguns valores de fraternidade que eu não tinha antes, principalmente o da atenção ao outro”, relembra.

Aos poucos a Irmã Marcilene passou a frequentar a igreja com mais assiduidade, participar de grupo de jovens, se interessar pelo violão, ajudar na liturgia e a ficar cada vez mais imersa nas reflexões das missas. Depois de assistir ao filme “Irmão Sol e Irmã Lua”, que conta da vida de São Francisco e Santa Clara, se sentiu tocada e pensou seriamente em entrar para a congregação franciscana. Com a proposta de ir morar na Alemanha com a irmã e trabalhar em um emprego fixo em Vitória, Irmã Marcilene não escolheu nenhuma das duas opções e resolveu servir a vida religiosa. “Falei com minha mãe, que me acolheu, mas meus irmãos achavam que eu estava frustrada da vida e que não precisava disso. Estava com uma série de dúvidas na minha cabeça em relação a questão de ter um emprego e, após conversar com um padre franciscano, me senti mais tranquila. Participei de um encontro da Congregação Franciscana, mas quando estava em vias de formalizar minha decisão desisti e optei pela Congregação de Santa Catarina”, disse.

Durante sua vida religiosa sempre se dedicou mais para a inserção em meios populares trabalhando nas paróquias, além disso, lecionava para ajudar a manter suas despesas como Irmã. Hoje, em uma comunidade em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, a Irmã continua se dedicando ao trabalho comunitário religioso. Indicada pelo Conselho Provincial, e aprovada pela Assembleia das Irmãs, para compor o Conselho de Administração da ACSC, a Irmã acredita que o seu principal papel é manter vivos os valores cristãos em todas as obras da entidade.

Da história de Santa Catarina, o que mais encanta a Irmã Marcilene é a força de sua oração e fé, que foi capaz de converter os 50 filósofos da época, além disso, foi capaz de quebrar as rodas preparadas para martiriza-la. “Ela nunca fraquejou, nem mesmo com as humilhações e o próprio martírio”, reforça.

A Irma pontua que neste ano o Papa instituiu o ano da fé, com um apelo da igreja para  despertar nos fieis os valores fundamentais da fé cristã e católica. “Isso se associa muito com a história de Santa Catarina, porque ela morreu para defender a fé cristã”, conclui.

Irmã Adriana: Jovem Perseverante na fé

Na cidade onde nasceu, Ecoporanga-ES, ainda na infância, Irmã Adriana testemunhou o trabalho pastoral das Irmãs de Santa Catarina: catequese, visitas às famílias, liturgia e dança, pastoral da criança, entre outras atividades em prol dos mais necessitados. A presença simples e acolhedora das Irmãs a cativou e com 19 anos deixou sua casa para conhecer a Irmãs de Santa Catarina mais de perto. “Fui morar em Santa Teresa (ES) na comunidade vocacional para fazer o discernimento vocacional e após 1 ano em  Juiz de Fora (MG) para concluir as etapas da formação. Fiz meus primeiros votos em 2005 e então fui viver no Convento Madre Regina, onde atuei por 8 anos no setor de contabilidade e durante este período, ingressei no curso universitário de ciências contábeis, o qual concluí neste ano. Atualmente, na casa de formação, vivo com as jovens que desejam fazer seu discernimento vocacional”, conta.

De acordo com a Irmã, a escolha pela Congregação de Santa Catarina está associado a seriedade das irmãs na missão, a criatividade na evangelização e ao trabalho das irmãs que conheceu na época.

Existem pessoas que ao passarem pela vida, deixam marcas profundas. Estas carregam em si, a capacidade de dar sentido às suas vidas e à vida de outros. Este sentido aponta para alguém que está para além delas mesmas: Deus.  “Assim foi com as irmãs que passaram pela minha vida e assim foi com Santa Catarina, que através de seu martírio, deixou o testemunho com gestos e atitudes, de seu amor por Jesus e pelo seu Reino. Em Santa Catarina percebemos uma jovem comprometida com os valores cristãos, exercendo uma vida de caridade aos excluídos de seu tempo”, reforça Irmã Adriana.

Para a Irmã, Madre Regina ao escolher Santa Catarina para padroeira da Congregação, contemplando-a como fiel seguidora de Jesus, sonhou para si, para cada irmã, e a todos os leigos que partilham deste ideal de vida, a fé cristã e valores que nos une na fraternidade universal, no sonho de fazer deste mundo, um lugar onde todos sejam felizes na dignidade humana.

2012.12.14



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