Educadoras do Colégio Santa Catarina de Juiz de Fora participam de Congresso

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Um grupo de 11 educadoras (entre professoras, supervisoras, orientadora e psicóloga) do Colégio Santa Catarina (CSC – JF) participou, no final de março, do VII Congresso Internacional de Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem, que ocorreu simultaneamente ao Seminário Internacional de Educação Infantil, em Belo Horizonte. O objetivo é capacitar professores, com foco na melhoria da qualidade do ensino. O evento foi realizado no Centro de Convenções do Dayrell Hotel.

Nos dois dias de evento, os participantes puderam assistir a 21 palestras, com 11 autores renomados, sendo dois especialistas de Portugal. “As palestras, embora tivessem temas diferentes,  se entrelaçavam na questão do afeto na relação professor-aluno e, principalmente, a questão do transtorno dos alunos com mais dificuldade. Em todas as palestras, de uma maneira ou outra, falou-se sobre a importância do afeto”, lembra Rosângela Belo, uma das supervisoras do Ensino Fundamental I, contando que no Congresso foi muito falado que a criança com algum transtorno precisa, mais que tudo, do afeto das professoras e do meio escolar, como um todo.

Sandra Mautoni, também supervisora do Ensino Fundamental I, diz que a prescrição sistemática de medicamentos para Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) foi outro assunto relevante abordado no Congresso. “Um dos palestrantes, inclusive, afirmou que para se chegar a um diagnóstico de TDAH, é preciso, mais ou menos, seis meses de acompanhamento, mas hoje em dia, os médicos dão o diagnóstico em uma única consulta. Isso é algo muito sério”, ressalva. Segundo Sandra, o CSC tem vários alunos com laudos de TDAH, disgrafia e Processamento Auditivo Central (PAC), que são crianças que têm dificuldade na aprendizagem. “E lá tomamos conhecimento de outro transtorno que é a Síndrome de Irlen, um distúrbio na percepção visual, que afeta o aprendizado da mesma forma que outros tipos de transtorno”, explica.

De acordo com as educadoras, a neurociência foi outra abordagem frequente nas palestras. “Por ser algo novo, muitas de nós não tivemos essa formação da neurociência, da neuropsicologia, que estão chegando agora às escolas para ajudar no trabalho pedagógico. Se o órgão responsável pela aprendizagem é o cérebro, a gente precisa conhecê-lo e estudá-lo. E isso implica muito na importância do professor sempre se reciclar e buscar uma formação contínua”, destacou Rosângela, lembrando a fala de um especialista no Congresso. “Um palestrante falou do fracasso escolar e perguntou: ‘De quem é o fracasso escolar? Quem é o responsável? Não existe receita pronta em educação, mas se eu tivesse que dar uma receita, seria a formação do professor. É você preparar o professor, o professor estudar, abraçar de corpo e alma a profissão, e tem que gostar do que faz’. Os desafios do século XXI não são os mesmos dos do século passado, e a gente fica muito presa ao que acontecia no século XX. Então, o professor precisa abraçar essa nova caminhada, que só é possível quando a gente busca se capacitar continuamente. Só assim conseguiremos avanços dentro da sala de aula. O professor precisa entender como o aluno aprende, até para entender a dificuldade que ele traz”.

Todas as palestras assistidas pelo grupo do CSC- JF falavam, em geral, da importância da figura do professor, exaltando sua missão. Segundo Sandra, em uma das apresentações, um especialista terminou sua fala com a seguinte frase: ‘Nada substituiu um bom professor’. “Ele quis dizer que hoje em dia nós estamos no mundo da tecnologia, ou seja, os alunos aprendem na ponta dos dedos, no computador. Mas que nada substitui um bom professor. E por quê? Por causa do afeto. O resto das coisas são todas frias, ele vai lá e adquire o conhecimento que ele quer, mas nada substitui aquele professor que é envolvido, afetuoso, que procura saber as especificidades de cada aluno, que programa suas aulas de forma dinâmica”, esclarece Sandra.

“Muita coisa a gente aprende de novo. A gente sabe, mas aquilo fica adormecido, e então vem aquela palestra e te cutuca, te chama de novo para a responsabilidade de ter aquele olhar diferenciado que o dia a dia engole, a prática engole”. A revelação de Rosângela prova que a capacitação contínua é fundamental para a realidade escolar. A partir de agora, as onze educadoras que participaram do Congresso irão se reunir para elaborar um material com a síntese de tudo o que foi visto no evento e, a partir daí, compartilhar com as demais educadoras do Colégio, a fim de que isso reflita no trabalho de toda a equipe.

“Todas as palestras foram muito boas e emocionantes. Eu saí dali cutucada, leve e doida para chegar na escola, porque eu sabia que ao chegar na escola eu iria olhar os alunos de maneira diferente. Todas as palestras valorizaram muito a figura do professor e nos mostrou que nós temos muitas armas nas mãos, a gente tem muito como ajudar o aluno, como motivá-lo”, conclui Rosângela. “A motivação tem muita importância. Fomos instigadas a nos lembrar daquele professor que nos marcou positivamente e refletir sobre o que ele fazia que eu ainda me recordo dele com carinho? Então, que eu faça o mesmo. Quer receita melhor do que essa? Você seguir o bom exemplo de um professor que te marcou? Agora, lembra daquele que te marcou negativamente e não reproduza o que ele fazia. São coisas básicas, mas você ouvir isso te alimenta”, complementou Sandra.

Estiveram presentes no Congresso as professoras Valdirene Andrade Honório, Juliane Szymanowski, Vanylene Lessa Dilly, Míriam de Freitas Machado Miranda, Aline Loures, Graciene Fontes Loures, Franscismara Salgado Martins, as supervisoras pedagógicas Sandra Mautoni e Rosângela Belo, a psicóloga Anna Paula Gomes da Silva e a orientadora educacional Alda Lúcia Moura Guimarães.

2014.05.08



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