O 2° semestre chegou!

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O recesso escolar acabou. É hora de voltar aos estudos. Para os alunos do Ensino Médio, o segundo semestre é decisivo, pois, em alguns meses, os vestibulares começam a pipocar, sem contar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que este ano bateu recorde de inscrições, com 8,7 milhões de candidatos em todo o país. O ritmo agora é mais acelerado e não há como recuar. Por isso, ouvimos a supervisora do Ensino Médio do Colégio Santa Catarina (CSC/JF), Mariangela de Lacerda Guedes, que também é coordenadora pedagógica da escola, e a psicóloga Maria Fernanda Pedroso. Segundo as educadoras, com disciplina e planejamento, é possível dar conta do recado e garantir um bom desempenho nos exames.

Embora esta segunda etapa tenha um ritmo mais acelerado, a conduta do estudante deve ser a mesma, afirma Fernanda. “Não é para começar a fazer diferente agora, próximo às provas de seleção. Não é para começar a ter uma conduta de organização a partir de agora. É um processo. Mas o importante é o aluno poder administrar o tempo e continuar com a concentração nos estudos, a dedicação, e ter tempo também para fazer uma atividade física para que ele também possa oxigenar e ganhar energia, porque se ele investe tempo de forma intensa e desenfreada só no estudo, ele vai chegar num determinado momento, próximo das provas, que vai ficar sem energia. A atividade física, seja ela uma caminhada, nadar, andar de bicicleta é importante principalmente no fim da tarde para que o aluno possa se reabastecer e conseguir dormir, ter um sono tranquilo. Neurologicamente, o descanso e o sono são fundamentais até para fixar o conteúdo estudado. Comer bem também é imprescindível”, ressalta.

O estudante do 3º ano, Gustavo Amaral Barbosa, de 17 anos, vai enfrentar agora em agosto um concurso militar e em novembro o Enem. Por isso, mantém uma rotina rigorosa de estudos, que não parou nem no recesso escolar de julho. Mas da válvula de escape, ele não abre mão. “Eu pratico artes marciais três vezes por semana para dar uma aliviada. Eu recomendo, porque desestressa bastante”, garante. Já para Leda Caldeira de Souza, aluna do 2º ano, é a música seu carregador de bateria. “Além da escola, eu estudo em casa, cerca de quatro horas por dia. Como neste segundo semestre a atmosfera muda, fica todo mundo mais ligado e a preocupação aumenta, é no violoncelo e no pilates que consigo buscar meu equilíbrio”, conta a jovem, que vai fazer o Enem este ano como teste.

De acordo com Mariangela, não só o ritmo muda no segundo semestre, como também o perfil dos alunos. “O ritmo é diferente, é um semestre mais decisivo, os meninos acabaram de receber os resultados da recuperação do primeiro semestre, as coisas já estão se delineando e eles também já estão mais próximos da inscrição do Pism (Programa de Ingresso Seletivo Misto da Universidade Federal de Juiz de Fora). É um momento em que a ficha cai. Eles sabem que no fim do ano eles têm um compromisso e querem se sair bem. Então, eles intensificam os estudos. Acho que a postura do aluno modifica muito. No primeiro semestre eles vão levando, achando que está distante, mas quando vem o segundo semestre e parece que vem uma responsabilidade maior, eles se dedicam bem mais, ficam mais interessados, correm mais atrás”.

Mas a supervisora lembra que é preciso um período de descanso em meio a tantas atividades. “Vários fazem inglês, cursinho de redação, muitos acabam indo para cursinhos, para intensificar o processo, mas eu penso que o aluno que é organizado dá conta durante a semana dessas atividades e no fim de semana, quando não há uma prova próxima, eles precisam descansar: ir ao cinema, sair com os amigos, fazer algo de que gostem. Mas para isso é preciso haver uma organização. Um horário de estudo é fundamental para que ele dê conta de estudar durante a semana para poder folgar no fim de semana”.

Se o ritmo de estudos acelera, a preocupação aumenta, também é natural elevar o termômetro do nervosismo. Segundo a psicóloga do CSC, este é um processo que varia muito de aluno para aluno, depende da personalidade, depende de como ele vem exercitando sua prática escolar. “O nervosismo surge por várias causas e é preciso avaliar o que faz a pessoa se desestabilizar. Tudo o que é novo, desafiador, causa-nos certa tensão. Só é preocupante quando desencadeia um processo em que a pessoa perde o equilíbrio. Nesses casos é preciso uma orientação mais especializada. Mas o nervosismo é natural desde que esteja sob controle, que dê para administrar. Passou disso, é preciso ajuda, suporte psicológico”.

Para Fernanda, a cobrança hoje é demais, a realidade está exigindo muito das pessoas, há muita competição, depressão, problemas com alimentação seríssimos, distúrbios de sono, isolamento. Além disso, com a internet e as novas tecnologias, o acesso a tudo é muito fácil, o que deixa o sujeito totalmente desprotegido, vulnerável. “Muitas vezes, a família não está presente e o aluno vive um estado de excessiva cobrança e de muitas expectativas em relação ao futuro. É o momento de escolha. E como os pais querem o melhor para os filhos, acabam interferindo nessa escolha e os filhos ficam amarrados nessa expectativa. É muito comum casos em que o aluno tem toda uma aptidão, um interesse na área de ciências exatas, por exemplo, mas faz Medicina por causa do apelo da família. E o que é mais doloroso para a gente ver é que muitas vezes, esse aluno, dividido pela expectativa da família, inconscientemente, não passa no Vestibular, sendo que ele tem condições de passar”, afirma.

Na opinião da psicóloga, a família precisa entender que, muitas vezes, a interferência pode ser positiva no futuro do filho, mas também pode ser um desastre. “Porque o aluno carrega um peso, um ônus de uma herança familiar que ele tem que segurar, tem que continuar. O suporte da família é fundamental, mas é preciso delimitar. Às vezes a família quer dar demais, sendo que o filho não tem condições de receber esse tanto. Por exemplo: fazer vestibular em São Paulo, sendo que ele não tem maturidade para morar sozinho, ou a família não tem condições de sustentar um estudo em outra cidade”. O papel da família nesse momento, segundo Fernanda, deve ser o de dar suporte, escutar, entender, ajudar na reflexão, no sentido do diálogo para que o jovem possa fazer o caminho dele. “Se ele fizer uma faculdade bem feita, numa instituição conceituada, ele vai ter sucesso. Não é a profissão x ou y que vai dar condição a alguém de ser um bom profissional. Não é isso. Acho que os pais estão muito preocupados com o sucesso profissional, com a questão financeira, mas outras questões estão em jogo. Esse processo também é difícil para os pais, por isso é fundamental um trabalho também com a família”, complementa.

Estrear no Ensino Médio

Muitos alunos estão sentindo um friozinho na barriga diferente. São os recém-chegados do Ensino Fundamental, que vivem uma mudança radical no Ensino Médio, a começar pelo número de disciplinas, que dobra. Entrar nesse novo universo, é um processo natural, garante Mariangela. “Eles chegam muito imaturos, pela própria idade, e não levam muito a sério no início. A equipe pedagógica entra em sala, conversa sobre o processo, faz uma orientação, explica como é o sistema de provas, o que eles precisam estudar mais e, com isso, eles vão amadurecendo. É traçado com eles um processo de uma maturidade para a escolha. Porque eles têm que ter em mente o caminho que querem percorrer. Então, a partir do momento que o aluno tem este objetivo maior, o da escolha de uma profissão, o que ele quer para a vida dele, ele vai naturalmente se empenhando. E o mais importante de tudo é a organização. A dica é estudar a matéria do dia, fazer os exercícios, estudar teoria e deixar um tempo para estudar matéria de prova. Mantendo os conteúdos em dia, ele vai dar conta. E relaxar. Nada de estresse, porque é um processo natural, não tem como fugir disso”.

O período de adaptação do jovem Henrique Duarte Baumgratz, de 16 anos, precisou ser um pouco maior. Ele chegou ao Ensino Médio no ano passado, mas não conseguiu acompanhar o ritmo e está repetindo o primeiro ano. “O ritmo é totalmente diferente da oitava série. Eu cheguei aqui com a mentalidade do Ensino Fundamental e quando a ficha caiu, já estava e cima da hora, não consegui dar conta. Mas este ano eu já comecei no clima de Ensino Médio desde o início e as minhas notas melhoraram. O segundo semestre é muito rápido e exige esperteza da gente. Eu estudo sempre o conteúdo do dia, não deixo matéria acumular. Estudo até umas seis horas da tarde e depois faço algo para oxigenar o cérebro” conta o estudante.

Orientação Vocacional

O CSC/JF desenvolve há alguns anos um trabalho de Orientação Vocacional e Profissional voltado para alunos do 2º e 3º anos do Ensino Médio, não apenas do colégio. É um trabalho extra, pago à parte por aqueles alunos interessados em fazer um processo de escolha profissional mais profundo. A procura deste serviço tem crescido bastante devido a um panorama complexo no contexto da escolha profissional.

A escolha de um futuro profissional se inicia bem cedo. Incentivar o jovem a se conhecer, a perceber seus interesses, desenvolver suas habilidades e talentos é uma preocupação dos nossos educadores. “Na verdade, o certo seria, ao longo de todo o processo escolar, ir detectando habilidades, aptidões, talentos, capacidades, dificuldades, formas de enfrentar desafios, forma de se organizar, interesses, motivações. Esses eixos começam cedo na vida. A gente consegue, desde cedo, detectar escolhas numa criança, na alimentação, por exemplo. A gente entende o processo vocacional como uma escolha da profissão, que se dá no Ensino Médio diante da exigência escolar de definir uma faculdade para cursar. Mas o processo da vocação, na verdade, é mais profundo. A escolha do curso, da profissão, é um processo final de um trabalho. O que temos percebido é que precisamos fazer um trabalho anterior, talvez começando no Ensino Fundamental, de autoconhecimento. A primeira etapa da Orientação Vocacional é o autoconhecimento, coisa que anda muito precária no jovem. Ele não conhece suas capacidades, suas habilidades, seu jeito de ser, seus talentos”, afirma Fernanda, uma das coordenadoras do trabalho.

O projeto de Orientação Vocacional do CSC/JF também é coordenado pela supervisora Mariangela e pela outra psicóloga da escola, Anna Paula Gomes da Silva. São 12 encontros, feitos à tarde, fora do horário escolar, com um grupo de alunos que se interessa em aprofundar esse processo. O segundo momento é o de conhecimento das profissões que culmina com a escolha das profissões. Nesta etapa final, interferem as expectativas da família e do mercado.

Dicas para o Enem

No Enem, todas as matérias são cobradas com o mesmo peso. Então, não adianta focar apenas em matérias afins, em que o aluno tem facilidade. “O Enem hoje é uma forma de ingresso adotada por 95% das universidades federais brasileiras. Então, o aluno que pretende ingressar numa outra universidade que não a de Juiz de Fora, ele precisa ter uma pontuação igualitária em todos os conteúdos. E a redação, na minha opinião, é o grande diferencial do Enem. Ela acaba tendo um peso muito grande no cálculo da nota final. Os alunos estão cientes disso e estão se preparando”, avalia Mariangela.

Em função do peso da redação no índice de aprovação no Enem, o CSC adotou um sistema de correção de redação, com a contratação, há alguns anos, de dois corretores, já preparando o aluno para isso. O trabalho começou com o Ensino Médio e no ano passado foi estendido também no Fundamental II. No Ensino Médio, os alunos fazem uma redação semanal, avaliada pelo corretor. A temática de redação do Enem são questões brasileiras, problemas para os quais o aluno tem que propor uma solução. “Não é simplesmente um texto dissertativo-argumentativo. Existe uma questão de resolução. O aluno tem que argumentar, mas também propor uma solução para o tema. Não são questões políticas, nem religiosas, porque esses temas são muito polêmicos, mas, geralmente, são questões de saúde, educação, a situação das drogas, a internet entre os jovens, ou seja, questões que eles próprios vivenciam, o que fica bem próximo deles”, explica a supervisora.

Graças a esse trabalho intensivo com os corretores, o CSC tem mantido uma média muito boa na redação do Enem. E por que o corretor? Porque, segundo Mariangela, o professor de Língua Portuguesa ou Literatura tem contado diário com o aluno e a correção acaba ficando influenciada. O corretor não tem contato com o aluno, não sabe quem é o aluno, sendo a avaliação totalmente imparcial.

E não é só na redação. Em geral, no Enem, ano após ano, o CSC/JF tem se destacado com as melhores médias de notas em Juiz de Fora e região. Os alunos do 3º ano têm uma carga de seis aulas todos os dias, de segunda a sábado, e uma vez por semana aula na parte da tarde também. Mas o segredo do sucesso é um somatório de fatores.

“É uma equipe de professores que tem uma consciência muito profunda do trabalho e uma responsabilidade muito grande. Eu sempre falo que no Santa Catarina os professores têm uma consciência, não deixam de cumprir o programa, estão sempre conversando com os alunos, eles têm um bom acesso com os meninos, e é uma equipe, não só dos professores, mas a família também, que ainda trem resguardado junto da escola as nossas necessidades. Quando a gente precisa fazer uma intervenção numa questão de estudo ou de apoio, a família está sempre presente ajudando a escola. Essa integração é muito importante. Muitos alunos estão aqui desde a Educação Infantil, e por isso já sabem o que pode na escola, o que não é permitido, como é o sistema. A escola tem o seu próprio ritmo e tudo o que a escola faz é para o benefício. O Santa Catarina realmente se preocupa com a formação do aluno. Há uma preocupação do professor que está sempre com um olhar muito atento e isso ajuda a equipe pedagógica. É uma equipe muito coesa, além de os professores serem muito amigos entre eles, são professores amigos da escola, que não dão a aula e tchau. Eles realmente estão envolvidos com a educação”, garante Mariangela.

2014.08.21



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