Depoimento emociona equipe do projeto de prevenção de Lesão por Pressão no HST

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Há dois anos, teve início a Colaborativa de Prevenção de Lesão por Pressão no Hospital Santa Teresa (RJ). Desde então, uma equipe de enfermeiros, técnicos e a Coordenadora de Enfermagem e fundadora da iniciativa, Gabriela Fecher, se reúnem semanalmente para discutirem as práticas adotadas e trocar experiências. Na sexta-feira, dia 17, mais uma reunião estava marcada com o grupo. Porém, desta vez, uma novidade aguardava os presentes: o depoimento emocionado de uma filha que, por 20 anos, cuidou da sua mãe acometida pelo Mal de Alzheimer.

A filha é Rosângela Maria Coelho Fecher, atualmente com 64 anos e, que sem qualquer formação na área de saúde, cuidou com muito carinho de sua mãe Alcina dos Santos.

D. Alcina ficou por dez anos acamada por conta do Alzheimer, mas só começou a apresentar lesões por pressão nos últimos quatro meses de vida. O segredo, segundo sua filha, foi a empatia. “Eu me coloquei no lugar dela, pois se eu estivesse ali, deitada 24h, me sentiria mal. Então eu a colocava sentada de manhã, ia para o banho, depois ela ia para a sala. Na hora do almoço ela conseguia deglutir, não precisava de sonda, então só à tarde eu a colocava deitada, mas várias vezes eu ia trocar ela de lado, pois ela não se mexia” relatou Rosângela, que fazia, sem saber, a mudança de decúbito, tão importante na prevenção das LPPs.

Mesmo com uma doença degenerativa que tem como desfecho o óbito, D. Alcina faleceu aos 69 anos devido a uma lesão por pressão profunda, onde ocorreu um debridamento que acabou evoluindo para o quadro de sepse.

Desde seu início, o Projeto de Lesão por Pressão implantado no HST vem ajudando a combater esse dano causado aos pacientes e contribui para que sua estadia na Casa seja menor, diminuindo também o sofrimento. À equipe do Projeto, Rosângela deixou mais que seu exemplo de empatia e cuidado, deixa essa mensagem:

“A Enfermagem é uma das profissões mais bonitas e difíceis em relação ao cuidado com o ser humano. A equipe, de um modo geral, deveria fazer uma parceria com os familiares. Ver como é a conduta dessas pessoas, suas condições, para que possa ver o que pode ser feito de melhor em relação a esse sofrimento que eu passei. Afinal de contas, quando chegamos ao hospital com o bem mais precioso que temos, são vocês que cuidarão. Não deixe que aconteça com familiares de vocês o que aconteceu com a minha família. Eu não consegui salvar a vida da minha mãe, mas vocês podem salvar a vida de muitos” pediu, emocionando todos os presentes.

Fotos do encontro:

2020.07.29



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