Corte e Costura OSSC

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Uma cerimônia simples e emocionante marcou a conclusão do curso básico de Aprendizagem em Costura Industrial oferecido pela Obra Social Santa Catarina (OSSC) a moradores do Bairro Jardim Casablanca e entorno. Esta foi a sexta turma formada pelo curso, que já capacitou cerca de 70 mulheres de baixa renda para o exercício de uma profissão, possibilitando sua inserção no mercado de trabalho. O evento contou com a presença da Irmã Ana Maria Silva, da atual coordenadora geral da Obra, Carla Cristina, e da ex-coordenadora, Eneida Vitral, além da professora do curso de corte e costura, Míriam Fonseca Aparecida da Costa.

As nove formandas, com idade entre 28 e 62 anos, ganharam diploma e participaram de uma dinâmica que emocionou a todas. A professora Míriam e a coordenadora da Obra escreveram mensagens em pergaminhos e cada aluna pegou um aleatoriamente. Em seguida, cada uma teve que ler o texto que tirou e contar como foi tocada. Todas, sem exceção, agradeceram à Obra Social pela oportunidade e também à Míriam, pelos conhecimentos compartilhados e pela dedicação para com cada aluna. “Queria agradecer esses três messes, que somam quase duzentas horas de convivência com vocês. Se hoje você estão felizes, eu estou dez vezes mais. Nada disso teria acontecido se vocês não tivessem acreditado em vocês. Não adianta os profissionais, a casa oferecer esse curso, se vocês não tivessem chegado aqui com um objetivo. Sei que não foi fácil, deve estar passando uma longa história na cabeça de cada uma agora, mas vocês acreditaram que seriam capazes. O primeiro passo foi dado. Não deixem de acreditar, de correr atrás, de perseverar naquilo que vocês sonham”, disse emocionada a professora, ressaltando que espera todas as alunas na próxima semana, para o início do segundo módulo do curso de modelagem.

Formandas do Curso de Corte e Costura

Outra que fez questão de parabenizar as alunas pela conclusão do curso básico foi Eneida Vitral, que era coordenadora da Obra Social quando o curso começou, no início do ano. “É muito interessante ver a diferença no olhar de vocês hoje para aquele olhar com o qual chegaram aqui na primeira vez. Quando li o nome de vocês no cadastro eu ficava imaginando como seria cada uma de vocês, porque da mesma forma que vocês criam expectativa com o curso, nós criamos sobre a participação de vocês. Esta aqui hoje é uma vitória de vocês, mas da Obra Social também, por poder colaborar com a realização desse sonho. Claro que dependia de vocês. Se vocês não quisessem a gente não ia conseguir nada, mas é uma vitória conjunta. É muito gostoso olhar para vocês hoje e ver o olhar de segurança, de alegria, muito diferente daquele olhar com medo, daquele olhar com interrogação de três meses atrás. Vocês já conseguiram, agora é só continuar o que vocês já estão fazendo. Vocês já chegaram lá, agora é só continuar no caminho”, enalteceu.

A atual coordenadora da casa também se emocionou ao saudar as formandas. “O que me emociona é o orgulho de vocês em estar aqui hoje, receber um diploma, completar um ciclo, conseguir fazer uma calça. Fiquei muito emocionada com isso e ver que o curso foi além do seu objetivo, pois atingiu a cada a uma, dentro das suas dores, dos seus momentos, às vezes, vocês estavam em casa, chateadas, mas vieram para cá e demonstraram alegria em estar aqui, em compartilhar. Por isso digo que o curso foi além, porque vocês não aprenderam só um ofício, vocês também fizeram amizades, curaram alguma depressão, fizeram a colega sorrir. Vocês estão de parabéns, a Míriam está de parabéns, a Obra Social está de parabéns, Madre Regina, fundadora
da Congregação das Irmãs de Santa Catarina está de parabéns, pois sem ela nada disso seria possível. Então, é o momento de agradecer a todas essas pessoas que foram abrindo caminho para nós”, complementou Carla.

Em nome da diretora do CSC, Irmã Ernestina Lemos, que, em função de alguns compromissos não pode estar presente na solenidade, a Irmã Ana Maria destacou que todos envolvidos de alguma forma com a Obra Social, têm um compromisso para com esse belo trabalho realizado. “Esta Obra faz parte de uma história que já perdura por quatro séculos e meio e cujos frutos, ainda hoje, estão pipocando. Esta obra não pode existir sem vocês. O objetivo desta Obra é o que está acontecendo hoje: não é dar o peixe pronto, mas dar o anzol para que vocês possam pescar. Eu penso que o objetivo está sendo muito bem colocado em prática. E cada pessoa que está nas obras da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, é outra Madre Regina. Vocês têm esse compromisso. Não podem parar por aqui. Vocês foram chamadas a ajudar as Irmãs de Santa Catarina a construir algo para o outro, porque sei que vocês não vão usar esse conhecimento aqui adquirido só para vocês. A partir do momento em que pisaram aqui e usufruíram desta Obra, vocês têm a missão de propagá-la e fazê-la conhecida”, instigou.

Após a entrega dos diplomas e de muitas poses para registrar o momento, todas confraternizaram com um delicioso café da tarde. Colhemos o depoimento das alunas para mostrar a transformação que o curso operou na vida de cada uma delas. Confira e emocione-se:

Renata Rossetti França: “Corte e costura é um curso muito procurado e caro. Eu sempre quis fazer, mas não pude. Agora estou tendo a oportunidade de me profissionalizar, porque eu parei de trabalhar por conta de criança pequena e, quem sabe eu me formando, eu possa trabalhar com costura. Como eu já mexo com artesanato, complementa. Pretendo fazer todos os módulos. Estava vendo televisão, assistindo ao jornal e ouvi falar do curso. Aí eu anotei o número, liguei e no dia seguinte vim fazer minha inscrição. Cada pessoa aqui tem uma história, a gente se emociona com cada pessoa. O curso é tão empolgante que eu não paro de falar na minha casa a respeito. Todo mundo que vai à minha casa eu conto sobre o curso. Isso é empolgação. Aqui a gente não vê a hora, passa muito rápido, justamente porque é bom. Aqui a gente não sente aquele cansaço do dia a dia, dos afazeres de casa. É muito bom”.

Maria de Fátima Martins: “Não sabia costurar antes. Esse curso foi tudo de bom na minha vida: aprendizagem, amizades, a Míriam, que é uma professora muito gente boa. Eu venho pra cá, nem tenho vontade de ir embora, de tão bom que é. Fiquei sabendo da Obra através de uma vizinha que fazia ginástica aqui e eu vim fazer também. Depois fiquei sabendo do curso de costura e resolvi tentar. Quando eu peguei aquele diploma hoje, senti um alívio por ter conseguido, além de uma alegria muito grande. Esta calça que estou usando hoje foi a primeira peça que eu consegui fazer sozinha e estou orgulhosa. Vou fazer muitas calças para ajudar quem não tem condições de comprar”.

Andreia Aparecida Eveling: “O curso é muito bom. Eu nunca tinha sentado numa máquina de costura antes. Eu tenho cinco irmãs e todos sabem costurar, menos eu. O dia que eu consegui fazer uma fronha, sozinha, eu liguei para todas elas para contar. Eu moro em frente à Obra Social e sempre quis fazer o curso, mas com um bebê pequeno eu não conseguia. Quando ela começou a estudar, eu vim pra cá. E isso me ajudou a passar o tempo nesse processo de adaptação longe da minha filha. Agora quero aprender a modelagem que eu achei muito difícil no início, mas que agora eu tiro de letra”.

Andrea Conceição de Souza Moreira: “Participo de um curso aqui na Obra Social pela primeira vez. Tentei me matricular antes, mas o curso já tinha começado. Como não estou trabalhando e só tenho cuidando da minha mãe e das minhas filhas, resolvi fazer o curso para não ficar parada. Não sabia costurar. São momentos felizes que a gente passa aqui, porque, se estamos em casa, estamos trabalhando, cuidando dos filhos, do marido, e aqui é um momento nosso, para fazer o que a gente gosta. Mexe com a autoestima, é muito bom. A Obra Social é algo muito positivo para nós, é uma oportunidade. A vida nos oferece oportunidades a todo momento e,
muitas das vezes, a pessoa fica parada, segue um caminho errado e fala que não teve oportunidade. Isso é mentira. Tem é que saber aproveitar. A partir de agora pretendo ter uma renda, vou investir no curso, vou começar a fazer umas coisas em casa e começar a costurar para fora. É só o começo, se Deus quiser!”.

Rosélia Silva Alves: “Moro no Jardim Casablanca e vi o anúncio do curso no posto de saúde de São Pedro. Comecei o curso antes, mas parei no meio. Agora foi diferente, agora consegui terminar esse módulo e quero ir até o fim. Consegui confiança em mim, porque eu duvidava da minha capacidade. Aqui o ambiente é fora de série. A partir do momento que você cruza aquele portão, você se sente outra. As amizades que fiz também foram muito bacanas”.

Vera Lúcia marciano Silva: “Eu não sabia costurar, transformar um pano numa peça, então, nem imaginava. Vizinhas minhas já tinham feito o curso e me chamaram. Eu nunca tive vontade de aprender nada. O sonho da minha mãe era que eu fosse costureira. Quando eu tinha 13 anos eu cheguei a fazer um curso, mas eu não queria e me matriculei chorando. Mas agora, depois que minha mãe faleceu eu tive vontade e estou com toda a garra. Já fiz três saias. Eu nem sei comparar como eu era antes com a pessoa que eu sou hoje. Eu não saía de casa, tinha excesso de peso, não conseguia andar, minhas pernas vivam inchadas. Agora não. Eu vou e volto e não perco mais nada, eu também faço artesanato e aula de ginástica aqui na Obra Social. É muito bom. Essa casa é tudo de bom para o nosso bairro e eu desejo que ela permaneça para sempre”.

Nilza Moraes Baptista: “Fiquei sabendo do curso através de um anúncio na televisão. Sempre quis fazer um curso de corte e costura, mas nunca tive tempo. Não sabia nada e me apaixonei pela modelagem. Eu descobri aqui um outro universo que foi muito bom para mim. As amizades que eu fiz aqui não tem preço. Sem contar que estou realizando um sonho. Eu já estou pensando no final do curso, por isso propus fazer um desfile e a Miriam e a Carla já toparam. Viver com dinheiro de aposentadoria não dá, por isso quero investir. Um curso desse nível é muito caro, não daria para eu pagar. Aqui eu estou perto de casa, a instituição nos proporciona toda a estrutura, um ambiente muito legal, as máquinas são ótimas. Eu sinto que tudo o que foi colocado aqui foi feito com muito carinho. A gente não precisa gastar com nada: tecido, linha, fecho e o que é melhor, o amor e o carinho da professora conosco. A Míriam, realmente, não existe. Ela conseguiu tirar de cada uma de nós o melhor que cada uma tinha para dar. Por isso, eu estou muito feliz, feliz mesmo”.

Magna de Souza Duarte de Paula: “Tem dois anos que estou na Obra Social, porque eu moro aqui do lado. Já fiz ginástica, artesanato e agora estou no corte e costura. Nunca me interessei por costurar antes, mas minha mãe e a Míriam me incentivaram. Comecei o ano passado, mas, em função de um problema de saúde, eu tive que parar. Mas agora estou melhor e consegui concluir esse módulo. Aqui é a minha segunda casa, gosto de todos aqui, fiz muitas amizades aqui dentro. A Míriam é minha amiga maior. Se não fosse ela eu não estaria aqui. O curso para mim é uma terapia. Quando a aula acaba, eu vou para casa e fico doida para dar logo o outro dia para eu voltar. É bom demais”.

Curso de Corte e Costura

Capacitar o aprendiz de baixa renda para o exercício de uma profissão, possibilitando sua inserção no mercado de trabalho. Este é um dos principais objetivos da Obra Social Santa Catarina, unidade construída, mantida e coordenada pelo Colégio Santa Catarina (CSC). Dentro desta proposta, a instituição oferece um curso de costura, dividido em três oficinas: artesanato com retalhos, customização e reforma e costura industrial. Este último é dividido em quatro módulos: curso básico de aprendizagem em Costura Industrial; Qualificação em Modelagem Industrial; Qualificação em Corte Industrial e Qualificação em Costura Industrial.

Qualquer pessoa com mais de 16 anos, moradora do Bairro Casablanca e entorno – onde a Obra Social está localizada – pode participar. São 15 alunos por turma. As aulas são ministradas de segunda a sexta, sendo 200 horas/aula no primeiro módulo e 80 horas/aula em cada um dos três módulos subsequentes. Para este ano
não há mais como participar, mas quem tiver interesse pode fazer um cadastro na secretaria da Obra Social para a próxima turma do curso, com início previsto para fevereiro de 2015.

Todos os módulos do curso são ministrados pela professora Mírian Aparecida da Costa, que se preocupa não apenas em ensinar um ofício às alunas, mas também resgatar a autoestima dessas mulheres, a fim de que se sintam valorizadas enquanto ser humano. “É uma realização para mim não apenas passar para elas o conteúdo do curso, mas a questão de trabalhar o resgate da autoestima e prepará-las para o mercado de trabalho. Eu sou totalmente realizada com meu trabalho. Tudo que eu converso com elas tem uma dimensão muito grande na vida delas. Pequenas palavras que eu falo tem grande significado para elas. É muito gratificantes poder fazer a diferença na vida dessas mulheres”.

Além do curso de costura, a Obra Social Santa Catarina oferece à comunidade da Cidade Alta oficinas de capoeira e flauta doce (convênio com a Funalfa), aulas de musicalização com instrumentos de sopro (parceria com a Polícia Militar) e de corda; ginástica para adultos e idosos, e consultas médicas nas especialidades de pediatria, neurologia, psiquiatria e clínica geral (parceria com a UFJF).

2014.06.24



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