Coral Meninas Cantoras completa uma década de vida com belas histórias para contar

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Começou como um sonho da diretora geral do Colégio Santa Catarina (CSC), Irmã Ernestina Lemos, e hoje é a menina dos olhos da direção. O coral Meninas Cantoras, formado por alunas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, completou dez anos em 2014, com uma bagagem cheia de histórias e muitos sonhos. E quem vai contar um pouco dessa trajetória é a coordenadora da Escola de Música do CSC e regente do coro, Patrícia Guimarães.

O coro começou em março de 2004, um ano antes de a Escola de Música ser fundada. Na época, o colégio já tinha música na grade curricular, com duas professoras: Patrícia e Elísima.  “A Irmã nos chamou e disse que o sonho dela era ter uma escola de música e um coral aqui no colégio e pediu que nós fizéssemos o projeto para apresentá-la. E assim foi feito. Montamos um edital para mostrar como seria o processo de seleção e começamos do zero. Na primeira prova, nós ouvimos 130 meninas. Foi difícil, porque estavam todas desafinadas. Então, começamos um trabalho para solidificar a música no colégio. E é um trabalho contínuo, que aos  poucos  vai  mudando  a  qualidade  vocal,  a  sonoridade”,  conta  Patrícia.  Nesta primeira audição, foram selecionadas 45 vozes, a primeira formação do Meninas Cantoras.

Segundo a maestrina, montar um coro requer um trabalho minucioso, de escuta atenta.  “Cada voz apresenta um diferencial. No teste a gente marcamos a cor da voz e isso vai construir a sonoridade do coro e a definição de primeira e segunda voz. Foi assim o início do nosso trabalho de descobrir como trabalhar com duas ou três vozes e cuidar de 45 meninas, numa sala, sem deixá-las dispersar muito e, ao mesmo tempo, fazer um trabalho com leveza. A princípio, nós tínhamos divisão de naipes, o contralto ensaiava às  terças,  o  soprano  às  quartas  e juntávamos tudo  na sexta-feira. Mas  depois, tivemos que unificar tudo, o que foi  melhor para o coro, pois as meninas se uniram mais”, explica.

Desde o início, a regente procurou montar um repertório valorizando música folclórica e músicas que tivessem uma mensagem bonita, com valores como família e respeito ao próximo.  “O coro me proporcionou um crescimento profissional muito grande, porque aprendi a escolher um repertório com o material que tinha em mãos. Isso é muito importante, saber respeitar o gosto das meninas, buscar algo que também é da realidade e da vivência delas, músicas com que elas se identifiquem”.  Hoje, dez anos depois, Patrícia se orgulha de ver o coral consolidado e com uma fila de alunas ansiosas para fazer parte dele.  “Temos ex-alunas que já escolheram trabalhar com canto, não só como hobby, mas profissionalmente. E tenho duas meninas que já deixaram o colégio, porque concluíram o Ensino Médio, mas não querem sair do coro”, conta comovida.

Patricia lembra uma passagem, no início do trabalho, que a marcou e fez toda a diferença para que o coral fosse o que é hoje: “O meu marido é militar e ele poderia ser transferido e eu teria que deixar o coral. Então comuniquei esse meu receio à Irmã Ernestina e ela, de forma muito acolhedora, falou que não haveria problemas caso aquilo acontecesse, porque eu iria olhar para trás e ver que foi uma semente que eu plantei. Achei sensível da parte dela e hoje, olhando pra trás, vejo como ela foi sábia, porque eu podia ter me privado de um trabalho tão lindo. Eu cresci junto com as meninas, junto com a sonoridade que o coro construiu”, afirma Patrícia.

Ao longo desses dez anos, o coral Meninas Cantoras já se apresentou em várias Cantatas de Natal, sempre com um toque solidário. “Tomamos esta iniciativa para que as meninas aprendam a dividir. Já doamos roupas de frio, fraldas, cobertores, brinquedos”, afirma a professora.  Além disso, o grupo já se apresentou em Petrópolis, num evento da Associação Congregação de Santa Catarina, em Congressos de Medicina e da Língua Esperanto.  No domingo, 21 de setembro, as meninas se apresentaram na 8ª Primavera dos Museus, no parque do Museu Mariano Procópio.  E, desde o primeiro ano de fundação, o coro sempre marca presença no Festival Internacional de Coros de Juiz de Fora.

Como distração, Patrícia criou entre as meninas o “amadrinhamento do coral”.  As mais velhas amadrinham e cuidam das mais novas.  “Isso faz com que elas fiquem ainda mais amigas. E quando saem do coro, não sentem saudade apenas da atividade, mas umas das outras também”.  A constatação de Patrícia é endossada pelo depoimento das irmãs Rafaela e Renata Paschoalim, componentes do coro. Renata está há sete anos no coral e já sente saudades do grupo, que deixará no fim do ano, ao concluir o Ensino Médio.  “Sair do colégio, por si só, já vai fazer uma grande diferença na minha vida, mas sair do coral, principalmente, vai ser um baque muito grande, por perder esse convívio semanal” relata a estudante que vai tentar uma vaga no curso de Direito da UFJF, de cujo coral deseja fazer parte.

Renata entrou para o Meninas Cantoras em 2006, depois de passar por dois testes.  Ela conta que sempre gostou de ouvir música e, por isso, a mãe pensou que inscrevê-la no coro seria uma experiência boa. “O que o coro me deu de melhor foram as amigas que fiz aqui. Algumas  já saíram do colégio mas a amizade permanece até hoje.  Como a gente está sempre cantando,  o coral  é um momento de relaxamento,  algo muito gostoso  de fazer. Você não faz por cobrança.  Faz porque gosta e se sente bem”, garante  a estudante, que foi exemplo e incentivo para a irmã mais nova também entrar para o coral.  “A minha irmã já estava há dois anos no coral e eu sempre acompanhava a apresentação dela e, de vez em quando, assistia aos ensaios. Daí, quando eu fui para o Ensino Fundamental e pude participar das audições, eu me inscrevi e passei de primeira”, conta Rafaela.  Para ela, o coral é uma forma de relaxar e se motivar.  “Eu estudo a tarde toda em casa, depois venho pra cá e dou uma relaxada. Eu saio do ensaio leve, mais animada. A música me ajudou a concentrar nos estudos e a me soltar, porque eu era muito tímida”, revela.

Relatos como esses só impulsionam Patrícia a querer desenvolver um trabalho cada vez melhor.  E agora as meninas ensaiam um repertório para a gravação de um DVD, no fim do ano.  “O timbre delas é o diferencial do Meninas Cantoras. Elas desenvolvem um amor pelo som do coro.  Às vezes,  a música não está nem tão bonita  em uma partitura, numa gravação, mas concretizar no som delas é totalmente diferente, especial, porque a sonoridade destas meninas realmente surpreende e emociona”, conclui com lágrimas nos olhos.

2014.10.28



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