Colaboradores do CSC participam de Encontro de Espiritualidade

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Foi realizado no último sábado, dia 27 de setembro, o IV Encontro de Espiritualidade do Colégio Santa Catarina (CSC), com a temática “A identidade do educador na ótica do Evangelho”. Mais de 120 colaboradores do colégio, da Creche Monteiro Lobato, da Obra Social Santa Catarina e do Ambulatório da Glória participaram do dia de reflexão no Seminário Sagrado Coração de Jesus, no bairro de mesmo nome. Também esteve presente um grupo de 15 pessoas – representantes de outras escolas e creches mantidas pela Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC), vindos de São Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Petrolina (GO), Fortaleza (CE) e Santa Teresa (ES).

O encontro acontece a cada dois anos, sempre com um tema diferente, escolhido a partir das necessidades e dos desafios vividos. “Na última edição, foi trabalhado o comprometimento da escola com a caridade com tema ‘Como ver, no rosto dos pobres, a imagem de CRISTO’. Este ano o tema foi escolhido a partir da percepção de que a escola, por todo o mundo, vem sofrendo uma forte interferência externa, mercadológica, no seu seio. Por isso a pedagogia de Jesus, que ajuda-nos a repensar o nosso modo de proceder como professor, como educador. Jesus tinha um modo especial de lidar com as pessoas, não se abatia com o fracasso, nem se deixava levar por resultados ou aparência. Mas ele cuidava do ser humano em sua totalidade. A pedagogia de Jesus ajuda-nos a entender e perceber o nosso perfil como educador. Mas nós também daremos espaço para a pedagogia de Maria, que ajuda-nos a olhar para a família. Quer dizer, não adianta a escola pensar em educar sozinha. A escola colabora com as famílias. Um projeto de escola dissociado das famílias é um fracasso. E nós, como escola católica, precisamos ter um comprometimento com as famílias. E Maria, com seu modo de servir, com sua disponibilidade, com sua escuta amorosa, ajuda-nos a pensar um projeto em relação às famílias” explica o coordenador de Ensino Religioso do CSC, professor Juceme Rodrigues.

O encontro começou às 7h30, com todos reunidos em torno de uma bela mesa de café da manhã. Após a primeira parte da Celebração Eucarística, realizada na capela do Seminário, o grupo ouviu a fala do Padre Leles sobre a pedagogia de Jesus, a partir do Evangelho de Lucas, capítulo 24, que fala dos discípulos de Emaús. “O que nós queremos nesse dia de hoje é entrar na escola de Jesus. Isso significa acompanhar Jesus nos seus passos, segui-lo, para que a gente possa viver como Jesus viveu, fazer como Jesus fez e, sobretudo, amar como Jesus amou. Jesus tem muito a nos ensinar na medida em que Ele sabe colher o que cada um tem para oferecer, sabe buscar onde sabe que vai encontrar. Cada pessoa humana tem algo seu para oferecer, basta que nós tenhamos olhos para ver e ouvidos para escutar como Jesus. Essa sensibilidade de Jesus é o que nos torna capazes de valorizar o diferente, de respeitar as individualidades e de cultivar nos outros o que o outro tem de bonito”, destacou o sacerdote.

Segundo Pe. Leles, educar vem do latim educare, por sua vez ligado a ducere, verbo composto do prefixo ex (fora) + ducere (conduzir, levar), que significa, literalmente, “conduzir para fora”, ou seja, preparar o indivíduo para o mundo. Assim como Jesus, o sacerdote usou de parábola para exemplificar sua fala. “O Aleijadinho via a pedra sabão bruta e, na sua arte, na sua sensibilidade, conseguia ver a imagem do profeta ali dentro. Educar é isso, é tirar da pedra bruta o que não é profeta. Educar não é colocar, mas tirar. Tirar o que não é essência, para o que é se sobressaia”, afirmou. No modo de falar e agir, Jesus também tem muito a ensinar para os educadores, garante o padre. “Jesus ensinava pela ação, pela palavra e as pessoas que o ouviam diziam que ele falava com autoridade, falava com gestos, sem discurso rebuscado, falava da vida. Com seu jeito simples de ser Ele falava do amor, da misericórdia e do perdão do Pai. A revista Forbes publicou recentemente que uma das figuras atuais que mais agregou valores à sua imagem foi o Papa Francisco, e não foi com discursos, mas sim com simplicidade do seu modo de ser. Quem fala com autoridade fala daquilo que é seu, daquilo que vem de dentro. O educador deve falar daquilo que lhe é próprio, da sua vida, falar e ensinar a partir de si mesmo, com testemunho da própria vida, falar daquilo guardado no coração e não apenas na mente”.

A partir da reflexão proposta por Pe. Leles, os participantes foram divididos em seis grupos, de acordo com características vividas e ensinadas pelo Mestre, como liberdade, afetividade, humildade, sensibilidade, compaixão e vigilância. Neste momento, foi realizada uma dinâmica em que, a partir de pequenos trechos do Evangelho, os educadores deveriam partilhar: ‘Como aplicar o método de Jesus em nosso trabalho educativo?’. Após discutirem a mensagem, cada grupo confeccionou um cartaz e apresentou aos demais grupos mostrando o consenso a que todos chegaram.

Irmã Aparecida Nogueira, diretora geral do Colégio Santa Catarina da Mooca SP, participou do encontro e saiu com a bagagem cheia de aprendizado. “Foi uma oportunidade de nos encontrarmos como um grupo que trabalha pela mesma causa: o de sermos educadores numa entidade que prima pelos valores humanos e cristãos. Isso nos possibilitou o crescimento do sentimento de pertencer que emerge de dentro das pessoas, um sentimento importante para você comprometer-se com a missão de Madre Regina”.

Após o almoço, foi o momento de Pe. Pierre Cantarino dar sua contribuição ao momento de espiritualidade e reflexão, com a fala ‘A pedagogia de Maria como inspiração para o trabalho com as famílias’. Ele baseou sua fala na relação de Maria com o anjo Gabriel. Como que a escuta, a atenção e a disponibilidade precisam permear as nossas relações com as famílias. “Temos muitos aspectos para a gente ousar aprender com Maria, como seu senso de grupo, sua capacidade de agregar e de experimentar consigo e com os outros. Nosso tempo é marcado pela falta de disponibilidade. Hoje só estamos interessados em fazer coisas que nos rende que favorece a nós mesmos. Maria sempre teve a capacidade de olhar para o outro, de abrir mão do seu sonho em vista de um projeto maior que o dela. Como Maria ficou diante da cruz de Jesus? De pé. Maria nos ensina a ficar de pé diante das dificuldades da vida. Os seus alunos estão preparados para os desafios de amanhã? Qual o papel do professor, então? Ser sempre sinal de Maria. Muitas vezes vocês serão chamados a saírem de si mesmos, abrir mão de um plano pequeno para um plano maior”, afirmou.

Após a fala do Pe. Pierre, os colaboradores novamente se subdividiram em seis grupos e trabalharam nova dinâmica com o tema ‘O desafio de construir um projeto pedagógico junto às famílias, inspirado na pedagogia de Maria’. Depois, voltaram a se reunir para a segunda parte da Celebração Eucarística, que se iniciou com outra dinâmica muito interessante mostrando o Caminho de Emaús. Cada colaborador recebeu um pezinho de papel, onde tinha que escrever em que crê e colar essa pegada no papel onde estava desenhado uma longa estrada, de modo que se construiu um belíssimo painel cheio de pegadas. “O Encontro de Espiritualidade visa dar continuidade a essa formação permanente que não é só dos alunos e familiares, mas, principalmente, dos colaboradores. A escola está inserida num projeto maior, como Igreja. E uma das missões da escola é colaborar com a evangelização por meio da educação. E cada dia mais esse é um desafio difícil que exige, além de inovações, um retorno às fontes. Beber na fonte para não esquecer, não se deixar contaminar por um projeto de sociedade que vem deixando de lado valores absolutos, negando a fé e, até mesmo, prejudicando esse processo humanizador, por qual a escola é responsável, por meio de relações apenas consumistas, de avaliações e mais avaliações, de um conteudismo que, muitas vezes, mata o encantamento com a aprendizagem. E o professor sofre com isso. Então, esse nosso momento tem o objetivo de dar uma parada, de promover uma espiritualidade que possa fortalecer esses colaboradores a não perder o encantamento com o educar a partir de um projeto mais amplo da escola”, afirmou Juceme.

2012.05.12



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