Alunos do CSC-JF participam do Parlamento Jovem de Minas

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Alunos do Colégio Santa Catarina (CSC) participaram, no dia 24 de abril, de uma mesa de debates promovida pela Assembleia Legislativa de Minas (ALMG) e pela Câmara Municipal de Juiz de Fora, sobre envelhecimento, tema central do Parlamento Jovem 2014. O evento, realizado no Colégio dos Santos Anjos, reuniu estudantes das cinco escolas de Juiz de Fora participantes desta edição do projeto, além de alunos de Matias Barbosa, Leopoldina e Santos Dumont. Foi um momento muito proveitoso, em que os palestrantes – Regina Garcia, presidente do Conselho Municipal dos Direitos dos Idosos/JF; Fernanda Machado Freitas, analista de projetos educacionais da ALMG; e Robson Sávio Reis Souza, professor da PUC/MG – instigaram a plateia e colocaram várias questões para os adolescentes refletirem.

O primeiro a falar foi o professor da PUC/MG, que aconselhou os estudantes a fazerem um diagnóstico sobre o que o município onde vivem oferece de política para os idosos. Se há conselho municipal do idoso, legislação específica, entre outros. “É preciso que, no plano do município, em primeiro lugar, vocês conheçam o que existe. Articulem-se para apresentar políticas municipais para os idosos. E, num segundo plano, pensar em legislações que podem ser ampliadas para todo o estado. O Brasil vive um aumento proporcional do número de idosos. Está deixando de ser um país jovem para ser um país velho. Antigamente, um casal tinha dez filhos. Hoje, a média de filhos é de um vírgula cinco por família. Ou seja, não temos mais a produção de crianças em larga escala.

Portanto, o poder público, nas três esferas, deve implementar políticas públicas para favorecer o envelhecimento saudável e garantir os direitos dos mais velhos, que é justamente o tema do Parlamento Jovem este ano”, destacou. A analista de projetos da ALMG falou especificamente sobre o processo de envelhecimento. “Quando falamos em políticas que consideram a questão do envelhecimento, estamos falando de vocês também, da criança, do adulto, porque todos estão em processo de envelhecimento. E quando falamos em qualidade de vida, também existe uma série de outros atributos que sustentam esse conceito. Nós temos a oportunidade, por meio do Parlamento Jovem, de discutir e propor ações, tanto para fazer acontecer o que já existe, quanto para estabelecer aquilo que ainda não existe. Isso olhando os idosos de hoje, mas também para vocês, que vão envelhecer”, afirmou.

Para finalizar, Fernanda lembrou aos estudantes da necessidade de termos projeto de vida, de pensarmos sobre nosso futuro. “Somos seres que estão aqui não simplesmente ocupando lugar no espaço, mas um ser que transcende, que tem a capacidade de se ver além do agora. Ser com existência transformadora, capaz de construir e se transformar e, portanto, capaz de se projetar no futuro”. Regina Garcia foi a que mais cutucou os adolescentes. Ela começou sua fala trabalhando na semântica da palavra aposentado. “Em português, é aquele que vai para o aposento, sai de cena. Em espanhol é jubilado, não no sentido de louros e glória, mas no sentido de exclusão. No inglês retired, o significado é literal, retirado. Esse é o sistema em que nós vivemos, o sistema capitalista em que você é enquanto você é produtivo”.

De acordo com Regina, o Estatuto do Idoso é um avanço, sim, mas ainda tem muito que caminhar, porque é preciso fazer desse estatuto direito de política publica e política social e não proteção, não chamar o velho de coitadinho. Ela aconselhou os estudantes a conhecerem o Estatuto do Idoso, como o primeiro passo para a elaboração de políticas públicas e sociais. Para a especialista, antes de elaborar leis, é fundamental quebrar estereótipos, referindo-se às placas indicativas de idoso, que sempre trazem uma pessoa curvada com bengala na mão. “As mulheres sofrem mais com o envelhecimento, por causa do estigma que vem com ele. Há esse estigma. Precisamos quebrá-lo. Antes de leis, precisamos mudar condutas pessoais, porque, senão, vamos fazer leis retrógadas, antiquadas, cheias de comportamentos estereotipados, já que as leis refletem o que o povo pensa. Então, antes de leis, vamos pensar diferente”, disse em tom provocativo.

Em seguida, Regina perguntou à plateia quem já tinha visitado algum asilo de idosos e indagou aos estudantes se eles, uma vez idosos, ficariam num lugar daquele? “Eu quero uma coisa melhor pra mim e acredito que vocês também. Então, comecem a criar um mundo melhor para vocês. Nós temos que construir um futuro diferente dessa realidade em que os velhos vivem hoje”. E citou Mário Sergio Cortella, que faz um questionamento muito interessante: ‘Vivemos mais. Vivemos bem?’. Para finalizar, Regina remeteu-se a José Saramago: ‘Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repare’. “Esse ‘reparar’ eu uso em dois sentidos: no sentido de observar, e no sentido de consertar. Está em nossas mãos a criação de um país melhor. Contribuam para isso. Reparem como os idosos estão sendo tratados hoje e veja se é assim que você quer ser tratado. Se não for, está na hora de agir para construir o seu futuro melhor”.

Depois da explanação de cada um dos três convidados, os alunos puderam fazer perguntas. Após uma pausa para um lanche compartilhado, coordenadores, monitores e estabelecimentos de ensino se reuniram com a equipe da Escola do Legislativo da ALMG e da PUC-MG e participaram de uma oficina sobre “A arte modifica os modificadores da sociedade”, com Joselma Luquini Chaves, oficial de apoio do Legislativo mineiro.

Um pouco mais sobre o PJMG

O Parlamento Jovem é realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) desde 2004. Em 2010, o projeto foi estadualizado e, desde então, é realizado em Juiz de Fora, em parceria com a Câmara Municipal, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e as escolas participantes. O objetivo é estimular a formação política de estudantes do Ensino Médio e conduzi-los a um exercício de participação democrática nas questões relevantes da sociedade. É a quarta vez em que o CSC participa.

Este ano, o projeto tem como tema central “Envelhecimento com qualidade de vida”. Nesse contexto, os estudantes terão três subtemas para trabalhar: Direito de envelhecer bem, Promoção da convivência intergeracional e Protagonismo social e político. Nesta edição, além do Santa Catarina, participam do Parlamento Jovem a Escola Estadual Antônio Carlos, a Escola Cinecista Monteiro Lobato e os Colégios dos Jesuítas e dos Santos Anjos. Ao todo, foram selecionados 150 estudantes, 30 de cada colégio.

Até o mês que vem, os estudantes selecionados para integrar o projeto irão passar por uma capacitação, orientados por monitores da UFJF. Entre os meses de maio a julho, eles se reúnem para elaborar as propostas, que serão debatidas em grupos de trabalho, divididos por subtemas. No dia 6 de agosto, será realizada uma plenária municipal para apresentação das ideais elaboradas pelos parlamentares mirins. Este ano, haverá uma etapa regional do PJMG, prevista para o início de setembro. Logo em seguida, as propostas finais serão encaminhadas para a ALMG. O projeto se encerra em outubro, com plenária final, na ALMG, em Belo Horizonte.

2014.05.28



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