A vida simples não mente o que sente…

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Em 2012, vivi uma experiência especial em minha vida. Conheci a fundação Terra, onde um profeta dos nossos tempos trabalha com os pobres. Padre Airton Freire. Um sábio sacerdote, que no vestir-se de “saco de farinha” na alvura da alma começou um trabalho na “rua do lixo”, onde as pessoas buscavam sobrevivência num grande lixão da cidade de Arcoverde/PE.

Hoje na “rua do lixo” tem creche, escola, igreja, biblioteca, dignidade humana… Casas, simples casas onde moram os filhos prediletos de Deus. Em seu livro “Vida Simples”, escreve:

  • Vida simples não combina com a sofreguidão de, sempre, buscar ganhar, de toda e qualquer maneira e em qualquer ocasião;
  • A vida simples se opõe à rivalidade, vive sob o signo da cooperação, solidariedade. A vida, simples tem sua marca, seu estilo, sua forma de ser com naturalidade;
  • A vida simples expulsa o desamor, falso pudor, não rima amor e dor, desejo compensador;
  • Aqueles que buscam viver com simplicidade renunciam a toda e qualquer forma de superficialidade;
  • Aqueles que levam a vida simples sabem viver o momento de agora, sabem apreciar o desenrolar das horas;
  • A vida simples é contra a solidão, contra tudo que for ostentação. A vida simples é uma forma de ser, é simples na maneira de crer, na forma de querer, na forma de expressar-se, expressar seu ser;
  • Aqueles que querem viver a vida simples buscam viver a solidariedade e a vida que de graça receberam é, no pão com simplicidade, alimentada;
  • Aqueles que vivem a vida simples descobrem que não é do acúmulo, mas do despojamento, que pulsa a fonte de seu enriquecimento: tanto o corpo quanto a alma passam por burilamento ao longo de um trajeto, constantemente.

Dessa experiência não se sai a mesma pessoa. No silêncio do deserto ouve-se apenas o barulho do ar que vem movimentar as plantas e o calor do sol escaldante. No sertão nasce a vida das mãos de um ser humano doado a Deus morando em casa coberta de sapé, cama rústica. E na sua misericórdia: servir e servir os que mais precisam de ajuda e dignidade. Exercer no tempo a vida de Jesus que se alegrava em estar com os filhos dos homens.

Nós, da ACSC, temos em nossa missão o mesmo desafio de Airton. Ser presença solidária, misericordiosa, como nos diz o Papa Francisco. Colocar-se no lugar do outro e, na compaixão, entender o momento, a vida, o ser… Estender a mão e cuidar, ouvir e silenciar, ensinar e educar.

Pensemos nisso…

E com o poeta, digamos:

“Pra viver e pra ver não é preciso muito…

Eu não quero tudo de uma vez,

Eu só tenho um simples desejo:

Hoje eu só quero que tudo termine bem…

tudo termine muito bem. ”

(“Simples desejo”, música de Daniel Carlomagno e Jair Oliveira)

Ir. Lia Gregorine, Julho de 2016.

2016.07.06



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